O Atlético MG conseguiu, nesta semana, conquistar aquele que se tornou o maior título de sua história, a Libertadores da América. O Galo começou a conquistar a América, por incrível que pareça, no dia em que caiu para a Série B do Brasileiro, no dia 27 de novembro de 2005. Naquele fatídico dia, diante do Vasco da Gama, o Atlético Mineiro viveu talvez o dia mais triste de sua história e logo o Galo. o primeiro campeão brasileiro, em 1971, tendo que mergulhar para a segunda divisão, para a tristeza de sua imensa torcida.
O Atlético ja vinha capengando pra cair desde 2003, ano que foi implantado o sistema pontos corridos no brasileiro, cujo primeiro campeão nesse novo sistema foi exatamente seu arqui-rival Cruzeiro.
Naquele momento surgiu com muita força um filho de um ex-presidente responsável por montar o melhor time do Galo de todos os tempos com Reinaldo, Marcelo, Angelo, João Leite, Éder e companhia – Elias Kalil, mas que não conquistou nada de significativo a não ser o reconhecimento da mídia quanto a qualidade da equipe que era um time dos sonhos. Me refiro a Alexandre Kalil com jeitão de mistura de caminhoneiro com agiota, mas com ideias embasadas e inteligência e capacidade para gerir esse mundo meio alienado que é o futebol.
Não foi fácil, pois a cobrança era muito grande e a torcida exigia respostas imediatas. Foi necessário muito pulso firme pra aguentar o rojão e oito anos depois veio a glória com essa conquista, que é reconhecida por todos como algo que o Galo já fazia por merecer.
A Diretoria do Atlético investiu no patrimônio construindo a “Cidade do Galo”, um complexo esportivo de dar inveja aos grandes clubes europeus e paralelamente a isso foi investindo no futebol, revelando um jogador aqui outro ali e negociando alguns deles, fazendo caixa e se consolidando, montando uma estrutura de time muito forte com alguns jogadores renegados, mas que tinham condições de darem uma resposta positiva como foi no caso do goleiro Vítor, herói da conquista da Libertadores, vindo a preço de banana do Grêmio, e a principal tacada de Kalil, Ronaldinho. Ronaldinho no Fla aparecia mais nos noticiários pelas noitadas no Rio de Janeiro do que propriamente pelo futebol. Com aval do excelente e as vezes injustiçado Cuca, o presidente levou o dentuço para o Galo. Ele voltou a jogar bola e foi a principal referência do Atlético na Libertadores.
O Galo mostrou que Clube que tem muito patrimônio como ótima concentração, dezenas de campos de futebol – me lembrei do Goiás agora – precisam agregar conquistas a esta estrutura. Não adianta nada para o torcedor ter estrutura imensa se não se conquista títulos importantes. Seria como um grande fazendeiro, cuja fazenda não produz nada, não agrega nada e vira apenas um latifundiário.
Sendo assim, o Goiás poderia, desde já, iniciar um planejamento a partir da base com pessoas capazes para o Verdão formar uma estrutura de equipe forte nos próximos cinco ou seis anos e, quem sabe, possamos ver o Verde do Centro-Oeste disputando pelo menos vaga na Libertadores ao invés de estampar com orgulho nos muros, ônibus e camisa “Bi-Campeão Brasileiro da Série B” o Galo esteve lá e não se orgulha desse título e foi buscar um muito maior do qual se pode orgulhar.





