A greve no Vila Nova já chega ao seu segundo dia. Os jogadores, que estão com quase 3 meses de salários atrasados, decidiram que não vão treinar enquanto não receberam um posicionamento da diretoria sobre os pagamentos. Com isso, as atividades de quinta (16) e dessa sexta pela manhã (17) não aconteceram. Os jogadores foram até a sede do clube, se reuniram, e foram embora.

Paulinho explica o que os atletas sentem nesse momento:

“É um sentimento de tristeza geral, ninguém queria ver o clube nessa situação. Eu não queria passar aqui no Vila tento que viver esse momento tão melancólico. Queria estar lutando pelo acesso, dando alegrias ao torcedor, mas infelizmente, o momento é outro. Mesmo assim, estou realizando um sonho de jogar pelo Vila”.

O atacante ressalta que o foco no gramado fica difícil, com tantos problemas extra-campo:

“Todo mundo tem seus compromissos e suas necessidades. Não tem como dizer que esse atraso não atrapalha, ficamos com a cabeça ruim. Tentamos esquecer, mas os problemas só aumentam e tudo se complica. Esperamos que a diretoria faça o que precisa ser feito, porque, até agora, não nos passaram nada. Não sabemos de absolutamente nada”.

Ele, inclusive, revela que vários jogadores precisam recorrer a ajudas para continuar pagando as contas:

“A gente procura onde dá, com amigos, família. Pessoas próximas nos ajudam com recursos para que paguemos as coisas mais emergenciais, mas é difícil. Três meses de salário atrasado complica muito, realmente. Por isso estamos tentando conversar com a diretoria para resolver esse problema. Isso pode dar um ânimo a mais para todo mundo”.

Apesar da situação delicada e o clima de “guerra declarada” à diretoria, Paulinho diz que os jogadores não abandonarão o Vila Nova:

 “Nós jogadores não jogaremos a toalha enquanto houver chances matemáticas. Independente das dificuldades, da improbabilidade e mesmo com esse problema dos salários, nós vamos continuar lutando contra o rebaixamento. Pode ser que consigamos uma reação histórica e salvemos o Vila, seria ótimo para o clube e para a carreira de qualquer um”.