Uma lenda do MMA, com um currículo de dar inveja a muitos dentro do octagon e até como empresário também. Antônio Rodrigo Nogueira, o Minotauro, esteve em Goiânia no início dessa semana para inaugurar a 33º filial da Team Nogueira, academia especializada em lutas e treinamento funcional. Aos 38 anos e com 45 lutas no MMA profissional, Minotauro já pensa no momento em que deixar o clima de luta para virar um formador de atletas, e a Team Nogueira é um projeto antigo focado nesse tema.

“Foi uma ideia minha, do meu irmão e do meu sócio, Erick Lobão, que é um consultor de academias, e a gente trabalha com isso desde cedo, minha mãe tem um academia de fitness e dança e nós trouxemos a arte marcial pra academia dela. É uma ideia que deu certo, a gente trouxe a arte marcial para uma academia família, o conceito perdurou e a gente trabalhou paralelamente com a equipe profissional, a melhor do Brasil, uma das três melhores do mundo”

O lutador recebeu a reportagem do Portal 730 na mais nova unidade, que fica no Setor Marista, e considerada pelo próprio lutador como a mais completa entre todas as outras 32 academias da franquia. Entre outros assuntos, Minotauro falou sobre a formação de crianças no esporte, da reta final de carreira, dos prognósticos do UFC para 2015 e até de um amigo pessoal e ídolo internacional, Anderson Silva, que se aproxima de um regresso tão aguardado mundialmente.

Peso da academia

“A gente aplicou tudo em pessoas comuns: aquele cara que não quer ser um lutador, aquela mulher que faz o muay-thai pra perder peso ou pra defesa pessoal, onde ela se sente mais segura. 92% do público não é lutador, são pessoas comuns, são mais de 2.800 crianças, mais de 3.500 mulheres, que procuram a Team Nogueira. Hoje temos 9.500 alunos, foi um plano internacional que começou na Califórnia, passamos por San Diego, Miami, Zurique, abrimos até em Dubai, até que trouxemos para o Brasil há dois anos e o negócio explodiu”

Formação infantil

“Nossas mães colocaram a gente no karatê, no judô, no taekwondo, que são artes marciais japonesas, afim de disciplinar. Criança bagunceira, vai pra luta. Isso aí segue até hoje, mas agora a luta da moda é o jiu-jitsu e o muay-thai, só mudou a luta. Mudou também a cara dos ídolos: era o Bruce Lee, hoje é o Anderson Silva, era o Jean Claude Van-Damme, hoje é o Minotauro, Belfort, são ídolos reais, e não de cinema”

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Team Nogueira Kids

“O diferencial é que a gente criou um sistema onde escrevemos aula a aula no livro, temos mais de 800 aulas escritas. Então, a criança entra na academia e tem seis aulas iniciantes, introdução a arte marcial, vai aprender amarrar a faixa, aprende o conceito, é algo muito lúdico. Às vezes, o pai traz o menino e diz: ‘meu filho tem quatro anos e é campeão brasileiro’, mas a gente não quer uma criança de quatro anos assim. Essa criança quer é brincar, e se ele for campeão, amém”

Goiânia em foco

“Tem praças que a gente não abre, se a cidade não tem interesse por esporte, não tem renda per capita A ou B, e a gente estuda isso, assim como o interesse pelas artes marciais. Eu vim fazer uma ação no UFC aqui e pude ver uma ação que me marcou muito, que foi o Rafael Feijão entrando com uma música, aquela ‘Quando eu quero mais, eu vou pra Goiás’, e eu vi todo mundo junto, eu vi que o pessoal aqui gosta mesmo, e a gente apostou na cidade”

Retorno sonhado

“Eu operei o joelho, rompi dois ligamentos, tô de molho até janeiro, porque são seis meses, não tem jeito. Pra não falar que não treino, já treinei um pouco porque eu não aguento, isso aqui é igual a Disneylândia pra mim, e aí fim uma brincadeira de boxe, bem leve ainda. Devo voltar em Abril ou perto disso, é nessa data que espero estar de volta, e enquanto isso a gente vai abrindo as academias, porque eu também fico super ocupado com isso”

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Vai parar?

“Tenho 38 anos, o corpo cansa, toma muita porrada, esse esporte é extremo. Vou fazer 16 anos de carreira e já vi três gerações entrarem e saírem do esporte, porque a vida profissional do lutador, em média, é de seis anos a oito anos, então já vi três gerações. Eu tenho vontade de lutar no Japão, onde eu fiz parte da minha carreira, e eu gosto do povo japonês, tenho saudade de lutar para eles. Tenho essa vontade, mas com certeza, o encerramento seria no Brasil”

Jon Jones nos pesados

“Legal, isso acontece muito no boxe, unificar categorias é uma boa estratégia de marketing dos americanos. Seria uma boa luta, o Werdum é grande, o Jon Jones é versátil, mostra boa técnica, e vai ser uma excelente luta, tem chances, o jogo do Werdum casa bem. O Brasil ganha com isso, seria um grande cara para bater esse nome americano, algo emocionante”

UFC nas “Arenas da Copa”

“Eu já realizei esse sonho de lutar com o Bob Sapp no Estádio Nacional de Tóquio, público de 108 mil pessoas, o maior da história, isso no Pride. É emocionante você ver aquele público, é diferenciado e acho que o Brasil precisa disso, trazer a massa, popularizar ainda mais o esporte. A arte marcial é um esporte caro e nem todo mundo tem acesso, e pra ir pra grandes estádios, o Governo deveria incentivar, fazer com que o ticket não fosse cobrado ou colocar um preço popular”

TUF com uma lenda

“O Anderson Silva é um cara internacional, ele abriu portas para o próprio UFC e abriu as portas aqui no Brasil. É um grande nome, ele é um motivador, os garotos que estão lá dentro precisam de motivação, precisam de olhar para a pessoa e pensar: ‘eu quero ser igual a esse cara’. Essa temporada, seja o time dele ou o que esteja contra, vai se motivar nele, que vai estar treinando junto com a rapaziada, então vai ser muito legal”

Retorno do Spider

“Não sei 10 lutas, mas que ele vai voltar, isso ele vai. O número de lutas é o corpo dele que vai dizer, mas ele vai voltar. Vários jogadores de futebol tiveram essa lesão que ele teve, inclusive o Romário teve uma lesão parecida na tíbia, e todos voltaram. A gente tem que acreditar, a ideia não pode ser querer que o Anderson seja o mesmo, mas sim acreditar no ídolo, a gente tem que dar força”