O senador Marconi Perillo (PSDB) tem mudado seu foco de atuação desde que começou a trabalhar  para retornar ao Palácio das Esmeraldas. Depois de viajar o Estado participando de eventos, fechando apoios com prefeitos e lideranças do interior e promover reuniões na capital e região metropolitana, o PSDB tem partido para o ataque contra os adversários. Nos últimos dias, o principal alvo tem sido a Nova Frente e seus principais integrantes, como o deputado federal Sandro Mabel (PR) e o governador Alcides Rodrigues (PP). O PMDB, que em tese é o principal adversário dos tucanos, tem sido poupado. Por enquanto.

Na última semana, Marconi deu visibilidade a um dossíê que ele teria recebido em sua residência e que afirma ser falso, ficando em evidência na mídia nacional e regional por conta da investigação. Segundo o senador, o dossiê tem caráter de perseguição política, pois caso fossem comprovadas as denúncias, ele estaria inelegível. Num momento em que a novidade são as candidaturas dos outros concorrentes e as suas primeiras estratégias como pré-candidatos, o PSDB contou com um fato político para permanecer sob os holofotes da mídia.

Segundo Marconi, pessoas ligadas ao governo teriam elaborado o dossiê para manchar sua reputação. Um dos nomes que apareceu como supostamente envolvido no caso, é o do deputado federal Sandro Mabel (PR), ligado diretamente ao pré-candidato ao governo, Vanderlan Cardoso (PR). Uma denúncia envolvendo o nome do presidente do PR em Goiás, seria desastrosa para as pretensões políticas do ex-prefeito de Senador Canedo.  

Embora os tucanos neguem que o candidato da Nova Frente represente uma ameaça à candidatura do PSDSB e afirmem que o inimigo maior é o PMDB, o fato é que boa parte da energia dos peessedebistas tem sido gasta para tentar inviabilizar a candidatura de Vanderlan Cardoso. Durante a semana, Marconi ainda apresentou denúncia contra o diretor do Dnit, Alfredo Neto, ligado a Sandro Mabel. Isso demonstra que as portas para uma possível composição futura com a Nova Frente estão se fechando cada vez mais.

Ainda falando em perseguição,  Marconi tem propagado que é vítima do governo estadual, que começou a exonerar os tucanos que ocupam cargos importantes no Palácio das Esmeraldas. O senador afirma que pessoas ligadas a ele e a seus aliados foram exoneradas pelo governador Alcides Rodrigues (PP) por perseguição. No entanto, desde o rompimento entre ambos, essas ações já vinham sendo ensaiadas e somente no fim de seu mandato Alcides decidiu por exonerar alguns tucanos que participam da gestão.

Quem também segue garantindo que tem sido vítima do governo de Alcides Rodrigues são os deputados estaduais tucanos Jardel Sebba e Honor Cruvinel. Em seu twitter, Honor criticou a postura do governo que, segundo ele, nunca atendeu nenhuma emenda sua. E completou “só quando o cara voltar”, referindo-se a Marconi Perillo. Porém, dentro da Assembleia, a bancada tucana tem trabalhado há algum tempo para prejudicar a aprovação de projetos da governadoria.

Ao mesmo tempo em que segue com a estratégia de vítima, Marconi tem protagonizado diversas investidas contra os adversários. A reunião com os prefeitos pepistas e a convocação de outra manifesta que o ex-governador vai atacar por todos os lados para conseguir o maior número possível de aliados. Quem, por enquanto, está protegido dessa estratégia é o DEM. Com a perspectiva de dividir o palanque com o partido de Ronaldo Caiado, os tucanos estão preservando a boa convivência com os democratas, evitando cometer o mesmo erro de 2006, que lhe custou o afastamento do antigo aliado.

Câmara
Quem esteve algum tempo longe da artilharia tucana foi o PMDB, que segue a estratégia da pouca movimentação para também não ser bombardeado. Porém, para essa semana os golpes devem começar a ficar mais incisivos. Escolhido para presidir a CEI do Transporte Público o vereador Maurício Beraldo (PSDB), um dos maiores críticos de Iris Rezende,  deve intensificar suas críticas à gestão peemedebista. A vitrine do PMDB para essa campanha é a administração de Iris Rezende frente à prefeitura de Goiânia. Esse deve ser o principal alvo dos tucanos que já articulam mais visitas à capital e maior cobrança na Câmara Municipal. Marconi Perillo já postou em seu twitter críticas ao transporte coletivo da capital, mostrando que essa área da administração será uma das primeiras a ser atacada.

Por não contar com nenhuma das máquinas municipal, estadual ou federal, uma das estratégias a serem seguidas pelos tucanos é justamente a da vitimização da candidatura de Marconi. Caso a Nova Frente e o PMDB se unam num possível segundo turno, essa estratégia pode ficar ainda mais forte, pois a união de ambos daria uma grande dor de cabeça ao senador, que concorreria contra  uma ampla aliança envolvendo toda a base do presidente Lula.

Lis Lemos

Fonte: tribunadoplanalto.com.br