A história recente do Atlético Clube Goianiense é marcada por superação e ressurgimento. A equipe atleticana havia sofrido uma derrocada estrondosa no final da década de 90 e início dos anos 2000. A torcida rubro-negra viu seu estádio, o Antônio Acciolly, em Campinas, ser demolido para que um shopping fosse construído no terreno. Por sorte, alguns torcedores e membros da diretoria do clube conseguiram que a obra fosse embargada e, assim, começaram a reconstrução do lugar.

Após dois anos da Segunda Divisão do Goiano, o Atlético se reestruturou internamente e uma das mais antigas forças do estado ressurgiu como uma verdadeira fênix, arrasando os adversários e conseguindo objetivos até então impensados por quem estava no comando do clube, como o acesso à Série A e a permanência na elite durante três anos seguidos.

A moral atleticana começou a se consolidar no ano de 2007, quando o time conseguiu o título do Campeonato Goiano. Claro, o início de recuperação do clube se deu em 2005, quando o Atlético foi campeão da Segunda Divisão do Goiano, mas o golpe fatal ocorreu dois anos depois. O título de 2007 não marcou somente a volta de um declínio recente, mas sim a retomada de um posto que há 19 anos o Dragão não ocupava.

A final foi contra o rival Goiás e o sentimento era de revanche. Isso porque um ano antes, em 2006, o Atlético também chegou à final do Goianão, mas amargou um vice-campeonato diante do esmeraldino. A hora do troco havia chegado, após um empate em 2×2 no primeiro jogo, o Atlético foi insuperável na segunda partida e acabou levando o caneco com uma vitória por 2×1. O herói do jogo foi o pequeno Anaílson.

O jogo

Uma atmosfera ímpar tomava conta das ruas de Goiânia na tarde daquele domingo. Era o dia seis do mês de maio, pouco mais de um ano após a final e o segundo lugar do campeonato de 2006. Atleticanos e esmeraldinos acirravam ainda mais uma rivalidade que se mostraria equilibradíssima anos mais tarde. No Serra Dourada, mais de 30 mil apaixonados, de ambas as equipes, viram de perto a estrela de Anaílson brilhar.

Quem abriu o placar foi o Dragão, logo aos dois minutos do primeiro tempo. O Goiás tocava a bola no meio de campo, Danilo Portugal tentou o passe no círculo central do gramado e foi interceptado por Robston. O volante, mesmo sem equilíbrio, conseguiu alcançar a bola e deu um belo passe para Fábio Oliveira. O atacante dominou, avançou em velocidade pelo meio, deixou o marcador esmeraldino para trás e meteu uma bomba de perna direita, para desespero do goleiro Harlei.

O adversário não demorou muito para arrancar o empate, o gol foi convertido por Romerito, em penalidade máxima. Na jogada, Welliton avançou na área, fez o passe tentando o Fabrício Carvalho, que devolveu novamente para Welliton. Quando o atacante dominou a bola, Possato, lateral-esquerdo do Dragão, foi duro na marcação e acabou derrubando o jogador da área.

O primeiro tempo terminou sem vencedor, o empate dava o título ao Goiás. O torcedor atleticano não suportaria outro vice-campeonato caindo diante do rival. O segundo tempo começou com uma alta tensão. O Atlético era superior durante a partida e pressionava a todo momento em busca do segundo gol. Pelo campeonato que o Dragão havia feito e pela bola jogada durante os jogos da final, ficar sem o título seria muita injustiça.

Mas a redenção veio e veio dos pés do baixinho Anaílson. Na marca dos 17 minutos da segunda etapa, em jogada pela direita, o meia recebeu a bola na entrada da grande área. Não precisou mais de um toque para que a bola fosse morrer no fundo das redes. O baixinho meteu uma bomba de fora da área, com a perna esquerda, direto no ângulo direito do goleiro Harlei.

O gol fez explodir até torcedor de outros times. Não tinha, em Goiânia, quem não estivesse torcendo para um triunfo atleticano naquela partida. A torcida rubro-negra que, na ocasião, ocupava até as gerais do Serra Dourada, soltou o grito que estava entalado na garganta há 19 anos. Campinas foi dormir em festa, o feriado durou a semana inteira.

Ascensão

Daí em diante, ninguém mais segurou o Atlético. Mantendo a base de jogadores durante os anos, o Dragão deixou escapar um acesso à Série B do Brasileiro no mesmo ano, ocupando a sexta colocação. Em 2008, o acesso veio e o que veio, também, foi o título. Pela primeira vez na história, um clube havia conquistado duas vezes a Terceirona do nacional. O Atlético ficou marcado na história.

Em 2009, mais glórias. A equipe atleticana terminou a Série B na quarta colocação, com 65 pontos conquistados, 57% de aproveitamento e dono do melhor ataque de toda a competição. E quem achou que o rubro-negro seria saco de pancadas na elite, se enganou. O Dragão se manteve durante os anos de 2010, 2011 e 2012 na Série A, disputando, inclusive, Copa Sulamericana.

FICHA TÉCNICA

Atlético 2×1 Goiás
Local: Estádio Serra Dourada, Goiânia
Horário: 16h
Árbitro: André Luiz Castro (GO)
Gols: Fábio Oliveira (2’ 1T), Romerito (28’ 1T) e Anaílson (17’ 2T)
Público: 31.088

ATLÉTICO: Márcio; Dida, Gilson, Jairo e Possato (Cardoso); Pituca, Robston, Wesley (Lindomar) e Anaílson (Claudinho Baiano); Fábio Oliveira e Rômulo.
Técnico: Arthur Neto.

GOIÁS: Harlei; Vitor, Eernando, André Leone e Danilo Portugal (Johnson); Diego, Cléber Gaúcho, Romerito e Amaral (Fabiano Oliveira); Welliton e Fabrício Carvalho (Petkovic)