Neste final de semana, o Vila Nova voltou a treinar após a sofrida vitória contra o Joinville. No entanto, o assunto que continua rendendo no OBA é a saída de Robston. Em sua última entrevista como atleta colorado, o volante se emocionou e criticou o treinador Guilherme Alves.

Em entrevista concedida ao repórter Juliano Moreira, o comandante fez questão de explicar a situação. Alves conta que ficou surpreso com as declarações de Robston e revela que o próprio jogador requisitou a saída do Tigrão.

“Estava descansado com minha família em Marília e quando me mandaram o áudio da entrevista fiquei muito surpreso. Na segunda-feira, o próprio atleta pediu uma reunião. Havia pedido para sair. Tinha proposta do Cuiabá e, mesmo tendo esse laço emocional com o Vila, a proposta financeira (era boa) e ele não podia deixar de ir”, revela.

Perda de prestígio e ambiente

Entre tantas afirmações, Robston chegou a dizer que perdeu prestígio no elenco colorado após a chegada de Guilherme Alves. Para rebater o atleta, o treinador foi enfático.

“Ele faltou com a verdade. Foi titular todos os jogos. Capitão todos os jogos. Só o tirei contra o Paysandu porque ele tinha amarelo. A proposta do jogo de terça-feira, por ele ter idade avançada e a viagem de Belém, era usá-lo no segundo tempo. Falta de prestígio acontece quando você afasta o atleta”, frisou.

O ex-capitão colorado também disse que o ambiente dentro do elenco colorado havia mudado muito por conta do treinador. Guilherme Alves, no entanto, ponderou que houve melhorias no dia-a-dia vilanovense e explicou o porquê das alterações no plantel.

“Mudou demais. Mudou para melhor. A gente está em contato com os atletas todos os dias, procuro conversar muito com eles. Estamos resgatando jogadores. Logicamente que existem mudanças, como a técnica, e eu quero rejuvenescer o grupo. Não se pode ter mais de 15 atletas com mais de 30 anos. As escolhas estão sendo bem feitas. Estamos em 10º no Brasileiro tendo a menor folha salarial”, reiterou.

Laranja podre?

Os boatos sobre o adeus de Robston são muitos. Um deles dizia que foi o treinador quem pediu o desligamento de Edson e do volante por os consideraram laranjas podres. Alves rechaçou este argumento e teceu críticas a quem fez tal afirmação.

“Se tivesse certeza disso desde o dia que cheguei, eu teria pedido para que eles fossem demitidos. Será que não são essas pessoas que acham e querem jogar nas minhas costas? Quem pediu para sair, foram os dois. Até porque não sou o dono do clube, não tomo essas decisões sozinho. Isso precisa ficar claro para a torcida porque só estão vendo um lado”, disse.

Planos e elogios

Saindo das polêmicas, Guilherme Alves elogiou a determinação de Gutemberg Veronez na presidência colorada. Para ele, o clube tem todas as condições de ascender à Série A em um curto período. Além disso, o comandante revelou quais seus planos de trabalho a longo prazo.

“O presidente é muito inteligente, valente e apaixonado pelo Vila. O Vila tem tudo para estar na Série A. Tem um estádio, centro de treinamento, uma sede que funciona, categoria de base. Se houver uma sequência de trabalho, vamos fazer um reestruturação de elenco. Trabalhar com jogadores entre 24 e 29 anos, que é a melhor fase do atleta. Eu pretendo trabalhar em conjunto com a base para que subam seis jogadores por ano, no mínimo. Ter três ou quatro, no máximo, acima de 30 anos”, conta.

Como outros times de massa, a pressão no Vila Nova é grande. Para Guilherme Alves, que atuou em clubes como Corinthians, Grêmio e Atlético-MG, a cobrança não é empecilho e sim motivação. Por isso, o comandante se diz muito feliz no Onésio Brasileiro Alvarenga.

“Está sendo maravilhoso trabalhar no Vila porque é o primeiro time que eu pego que tem a torcida que pressiona. Torcida de time grande. Está sendo espetacular, uma experiência fantástica. Estou tendo a experiência de trabalhar num time grande pela primeira vez”, finaliza.