O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) divulgou que as cidades do interior da Amazônia têm a pior qualidade do ar do Brasil. Secas, queimadas e por consequência a fumaça entre 2023 e 2024 são indicadas no estudo “Desafios e perspectivas do monitoramento da qualidade do ar na Amazônia Legal” como as principais causas para a perda da qualidade do ar na região interior da floresta.
O Ipam monitorou a Amazônia Legal por meio de 187 sensores instalados em todos os estados que a compõem. Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM e uma das autoras do estudo, destacou que existe sempre uma preocupação com a qualidade do ar das grandes cidades e nem sempre se pensa nessa mesma situação acontecendo nas cidades do interior da floresta.
“As áreas com o ar mais poluído do Brasil estão justamente no coração da Amazônia por conta das queimadas. Essa é uma agenda fundamental para o Brasil. Estamos acostumados a falar da qualidade do ar em grandes cidades por conta da queima de combustíveis fósseis e a indústria, mas não falamos da poluição no interior da floresta”, disse.
Riscos à saúde
Outro pesquisador do Ipam, Filipe Viegas fez um alerta sobre os riscos que a má qualidade do ar gera para a saúde. A área em que os povos indígenas e as comunidades tradicionais da Amazônia vivem são mais preservadas, mas eles são afetados pelo ar poluído pelas queimadas.
“A gente não pode esquecer das comunidades tradicionais. Monitorar as cidades é importante, mas, no Xingu, um sensor mostrou que o ar estava 53 vezes pior do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Quem protege a floresta deveria estar respirando um ar puro, mas fica com um ar mais sujo que o da Avenida Paulista”, afirmou.
*Com CicloVivo
*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta matéria, o ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima.
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