*Com Rafael Bessa

A imagem de um rapaz vendendo água em um semáforo com um uniforme do Goiânia Esporte Clube ‘viralizou’ nas redes sociais. Na cena, Diogo Gomes, de 18 anos, busca condições para manter a sua própria sobrevivência e seguir o sonho de se tornar um jogador profissional. Em contato com a reportagem da Sagres, o jovem contou um pouco a sua história.

Natural de Uberlândia, em Minas Gerais, “morava em Minaçu, Goiás, e sempre fui dedicado. O ‘povo’ de lá me conhece mais como ‘Descente’, porque, inspirado no Cristiano Ronaldo, sempre fui um ‘moleque’ dedicado e o meu pai sempre quis que estudasse, porque ele e a minha mãe são de família ‘da roça’ e não queriam que eu passasse pela mesma dificuldade que eles”.

Por outro lado, o sonho de entrar no futebol fez o jovem abandonar “um curso de técnico em segurança e eletricista industrial. Saí de lá e fui para a casa da minha mãe. Quando morava lá, cheguei a disputar dois campeonatos e gostava demais de treinar e jogar”. Do interior de Goiás para a capital, em Goiânia passou a ter dificuldades. “Eu pensava apenas em me manter de pé para poder voltar aos treinos do sub-20 e continuar treinando”, revelou.

A mãe, que trabalha como doméstica, passava por muitas dificuldades, “então tive que escolher entre continuar correndo atrás do meu sonho ou trabalhar o dia inteiro, e optei por sair. A minha mãe sempre vem me ajudando, apesar de ter saído de casa, e comecei a vender água no sinal. Às vezes, pensava que não poderia gastar o dinheiro que tinha, mesmo que estivesse comendo só arroz e ovo, e guardava, porque pensava no dia de amanhã, então usava o mínimo para me alimentar e guardar para o outro dia”.

Depois de um ano na capital, Diogo foi chamado pelo Goiânia e se apresentou nesta quinta-feira (30) na Vila Olímpica. O jovem destacou que “o Alexandre (Godói), presidente do Goiânia, entrou em contato comigo e falou para ir fazer o teste da covid-19 e conversar”. De agora em diante, “só depende de mim, não dependo de mais ninguém. Não tem dificuldade para poder ir treinar”.

Não interessa o que acontece fora dos gramados, “tenho que mostrar serviço lá dentro e o que já aprendi nesse tempo, que, juntando com a pandemia, dá um ano e três meses, mais ou menos. É mostrar o meu trabalho dentro de campo e dar o meu melhor. Sempre fui um ‘moleque’ que, desde pequeno, sempre tive a cabeça no lugar e tudo isso que passei é uma forma de preparar a minha mente, juntamente com muitas pessoas que sempre me ajudaram na minha formação. E é isso, porque oportunidade só vem uma vez na vida”.

Confira a matéria de Rafael Bessa com Diogo Gomes para a Sagres TV