Três vitórias em três jogos. Time jogando bem. Tudo tranquilo pelos lados do Atlético no Carnaval, certo? Errado. Isso porque Júnior Pezão, até então treinador das categorias de base do Dragão, concedeu entrevista ao repórter Juliano Moreira, da Rádio 730, revelando que foi demitido, por telefone, na última sexta-feira.

Confira os principais momentos da entrevista:

Motivo de sua saída e justificativa dada pelo professor Alcides

“Na verdade, fui pego de surpresa. Estive na faculdade com o professor Alcides, que havia me ligado, para recebermos. Estávamos eu, meu preparador físico e meu roupeiro, e o professor não comentou nada comigo. Por volta das 19h do mesmo dia, sexta-feira, recebi uma ligação, dizendo que eu estava demitido, junto com meu preparador físico. Achei até que era uma brincadeira, mas não tenho essa liberdade com o professor Alcides. Fiquei indignado, não deu chance para que eu perguntasse o motivo, pois ele logo desligou o celular. Da forma como foi conduzido, fiquei bastante chateado, em cima da história que tenho, no Atlético principalmente, como jogador e também como treinador”.

O ex-técnico da base rubro-negra criticou a presença de algumas pessoas no dia-a-dia da base atleticana. “Fiquei bastante preocupado, pela forma que sai, com inverdades, com mentiras. foram colocados pessoas ali dentro para fazer leva e traz inverdades. colocaram 3 pessoas no Atlético, que são o Paulo Nelli, o Rodrigo e Valtinho, que já estava fazendo rolo há um certo tempo. Tem gravação disso. Essas pessoas que não tem escrúpulo, não tem caráter, nem principio ético de conduta e  que faltaram com respeito pela postura que eu estava tendo, do trabalho que estava fazendo na categoria de base”.

“Não consigo entender o motivo de pessoas maldosas fazerem coisas que vem contra os princípios de coisas corretas, que estávamos fazendo. Se isso é querer mandar na cozinha, como o professor falou, que eu estava faltando com respeito com os jogadores e funcionários que lá estão, é só perguntar para os atletas, que ficaram sabendo. Depois que fui demitido, fiquei em silêncio e todos jogadores me ligaram, falando que, se não retornarmos, vão pedir para sair. As coisas não são assim, estão trabalhando numa instituição de renome no futebol brasileiro, foi um caso isolado e vida que segue”.

Armação para tirar Júnior Pezão na base rubro-negra

“O professor, como qualquer outro patrão, tem direito de demitir qualquer funcionário, mas tem de ouvir os dois lados. Infelizmente, ouviu três pessoas que não são dignas de respeito e, infelizmente, hoje estou fora, porque ele deu ouvidos a pessoas que não tem princípio de conduta, de honestidade, que entraram lá”.

“Na verdade, não posso afirmar que ele (Paulo Neli) está fazendo rolo. O Valtinho, que já tinha sido mandado embora, como é de conhecimento de todo mundo, pois estava fazendo rolo”.

“O que me causa surpresa, é que, a partir do momento em que saí do Atlético, colocaram três jogadores que tinham feito testes, por outras pessoas e não por mim, e foram reprovados. Como eu sou muito correto e transparente, não posso afirmar que o Nelli e o Rodrigo, treinador de goleiros, estão fazendo rolos, mas são articuladores pelo lado negativo, não querem o bem do clube, armaram para nos tirar do clube”.

Mudanças após chegada de Pezão no Atlético

“Pode perguntar para as pessoas que já trabalharam comigo, quem sabe da minha índole, do meu caráter. Teve um jogador que me mandou mensagem, falando que agora vai voltar a mesma coisa, que terá de pagar para poder jogar, que é o que fiquei sabendo que acontecia antes da minha chegada. Cobravam para fazer testes e para jogar. Ou o professor faz vista grossa ou é muito mal-assessorado para não ter conhecimento das coisas”.

“Peguei um local que estava todo desorganizado, nunca faltei com respeito com o professor, com nenhum funcionário do clube. querem fazer de lá novamente uma colônia de férias, uma casa da mãe Joana. Cheguei num ambiente que tinha de 70 a 90 jogadores e tinha um pão e uma xícara de café. Eles só faziam coletivo, não havia um trabalho sério. Quando cheguei lá, parecia um presídio, jogador amontoado em cima do outro, banheiro sem condições de higiene”.

“O Paulo Nelli chegava lá por volta das 10 horas e ficava, no máximo, meia hora lá”.

O que pretende o professor Alcides?

“O que me falaram é que a questão dele é política. Como minha função é técnica, creio que estava incomodando até a ele, que tinha de ir, ao menos, uma vez lá acompanhar o treino, no final da tarde. Ele preferiu acreditar nessas pessoas, então não sei o que se passa na cabeça dele. Ele fala que é atleticano, mas da maneira como conduziu, foi totalmente fora de contexto, não tem a mínima condição de ser dirigente de uma base tão séria como do Atlético”.

Situação grave

“Lá tem coisas muito sérias acontecendo dentro da base, que a direção do profissional tem de ficar sabendo e correr atrás, porque o Atlético é muito mais importante que tudo que está acontecendo. A base está muito bagunçada e muito mal-administrada”.

“Depois que sai de lá, os jogadores já me ligaram, dizendo que está faltando café da manhã, almoço, coisas que eram o básico. Em cima de pessoas, vou citar um, que é o Paulo Nelli, que não sabe fazer nenhum boletim de jogo. O treinador de goleiro nunca foi goleiro, não tem a mínima condição de trabalhar nem com iniciação esportiva. Queria trazer um preparador de goleiros, mas o professor não deixou”.

“Tem coisas que estão acontecendo, se as pessoas do profissional, procurarem saber, observar mais de perto, podem manchar a imagem do Atlético. Não vou falar o que é, porque vai me deixar em uma situação difícil em termos de processo, mas se procurarem saber, vão ver que o que está acontecendo é muito grave. se abrir o bico e falar o que é, a repercussão é a nível de Brasil e de mundo”.

 

Ouça a entrevista exclusiva na íntegra:

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