A cidade recebeu milhares de visitantes na manhã de terça-feira e o fato é creditado à filiação do vice-governador José Éliton. Veio mais gente ver a reunião do Partido Progressista, o PP, do que para presenciar as corridinhas de Neymar ao redor do campo do Goiás. Trazidos por prefeitos e outros aliados do vice-governador, os ônibus de correligionários portavam uma mercadoria em falta, a animação do PP.

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Desde 1982, a corrente política da qual o PP é originário não apresenta candidatos a governador em condição de ser eleito. O partido é tributário da antiga UDN, passou pela Arena, PDS e se espatifou junto com as ideologias derrubadas ao lado do Muro de Berlim. Ninguém sabe mais quem é de esquerda ou de direita. Aliás, ninguém sabe nem o que é esquerda ou direita. Aliás, ninguém prova sequer que existem esquerda e direita. Nos conceitos antigos, o PP era de direita, mas hoje convive no governo federal em aliança com siglas antes tidas como de esquerda. José Éliton optou por um dos lados do muro: já se assumiu de direita, sem explicar o que isso significa.

Aliás, nem José Éliton nem qualquer outro filiado ao PP ou aos demais partidos se arriscam a definir se a mudança de agremiação significa adesão a um programa partidário. É possível filiar-se a uma sigla sem ler seus documentos internos, sem nem saber o que prega ou o que representa. Os milhares de aliados desembarcaram dos ônibus para uma cerimônia sobre o nada, já que filiação é sinônimo disso, de nada. Foi a filiação de José Éliton, como são as demais, absolutamente nada.

Apesar disso, vai uma constatação aparentemente contraditória: é bom escolher um partido e fazer parte de sua programação. Ler sua cartilha, participar de suas reuniões, dar seus pareceres, opinar. Porque a nossa vida cotidiana, das maiores às menores decisões, é influenciada pelos partidos. De vereador a presidente da República, ninguém ocupa cargo eletivo sem estar filiado a um partido. Mesmo que todos pareçam saco de gatos ou de ratos, é louvável agir como José Éliton e os outros políticos, selecionar um partido e se filiar.

Por mais que xingue a política, a sociedade precisa dela para tudo. Os partidos não detêm a exclusividade da retórica e da prática política, aliás, ambas ausentes da maioria das siglas. Ainda que não seja num partido, recomenda-se fazer política. Seja na associação de moradores, na assembleia do condomínio, no conselho da igreja. Parece uma roubada, mas no mínimo o filiado vai saber se há roubos.