Junior Kamenach
Junior Kamenach
Jornalista, repórter do Sagres Online e apaixonado por futebol e esportes americanos - NFL, MLB e NBA

Educação digital: como as escolas estão usando inteligência artificial e tecnologia em sala de aula

A integração da tecnologia no ambiente escolar tem se tornado cada vez mais comum na educação, trazendo novas formas de aprendizado e estimulando o pensamento crítico dos estudantes. Recursos digitais e acesso à internet, principalmente em um contexto de crescimento da inteligência artificial, oferecem oportunidades para metodologias inovadoras, personalização do ensino e ampliação do acesso ao conhecimento.

No entanto, a infraestrutura das escolas brasileiras ainda apresenta desafios significativos que podem limitar o pleno aproveitamento dessas ferramentas tecnológicas. De acordo com dados do Censo Escolar 2023, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) do Ministério da Educação (MEC), 90,9% das instituições de educação básica no país possuem acesso à internet. 

Contudo, apenas 52,5% dessas escolas contam com biblioteca ou sala de leitura e 12,6% dispõem de laboratórios de ciências. Nesse sentido, esses números evidenciam lacunas na infraestrutura escolar que vão além da conectividade e que são essenciais para uma educação de qualidade.

Além disso, embora 88,5% das escolas públicas tenham acesso à internet, somente 62,1% utilizam essa ferramenta nos processos de ensino e aprendizagem. Sendo assim, isso sugere que, mesmo com a presença de conectividade, há barreiras na integração efetiva da tecnologia na educação.

Qualidade da conexão

Fatores como a qualidade da conexão, disponibilidade de equipamentos adequados e formação dos professores para o uso pedagógico das tecnologias são determinantes para o sucesso dessa integração. Além disso, a presença de equipamentos tecnológicos também é limitada.

Entre 2022 e 2023, apenas 24,5% das escolas públicas registraram aumento na quantidade de computadores de mesa ou portáteis disponíveis para uso dos estudantes. Essa escassez de dispositivos compromete a implementação de práticas educacionais que dependem do uso individualizado da tecnologia. 

Ainda conforme o Censo Escolar, apenas 30,2% das instituições possuem laboratório de informática. De acordo com a pesquisa, somente 29,7% das escolas públicas e 31,66% das particulares possuem laboratórios.

Confira:

Dados regionalizados

Quando os dados são regionalizados para Goiás com relação a laboratórios de informática, 39,8% das instituições possuem as estruturas, sendo que:

  • 40,1% das Escolas públicas possuem;
  • 100% das Escolas públicas federais possuem;
  • 66,6% das Instituições estaduais possuem;
  • 29,4% das Escolas municipais possuem;
  • 38,8% das Instituições privadas possuem;

Filtrando ainda mais os dados, em Goiânia 40,1% das escolas possuem laboratórios de informática, sendo que 44% das escolas públicas (100% federal, 65% estadual, 36,8% municipal), e 35,8% das particulares.

A tecnologia tem o potencial de transformar a educação brasileira, tornando-a mais inclusiva e eficaz. Para que isso se concretize, é imprescindível superar os entraves relacionados à infraestrutura, garantindo que todas as escolas disponham dos recursos necessários para integrar plenamente as ferramentas tecnológicas em seus processos pedagógicos.

Desafios e potencialidades da tecnologia na educação básica

A integração da tecnologia ao ensino básico também é um tema amplamente discutido no meio acadêmico e pedagógico. Ao Sistema Sagres, a professora Moema Gomes, especialista em didática e educação matemática pela Universidade Federal de Goiás (UFG), destaca que a tecnologia deve ser vista como um recurso didático e não como um fim em si mesma.

“A forma como eu vejo a tecnologia, a partir da didática de ensino e das relações entre ensino e aprendizagem, é como um recurso didático. Ela pode ser utilizada em qualquer disciplina, mas depende das características do conteúdo, dos estudantes e da infraestrutura da escola”, explica Moema. 

De acordo com ela, é fundamental adotar uma visão antropocêntrica, e não tecnocêntrica, para evitar a ilusão de que a tecnologia pode resolver todos os problemas educacionais.

A programação e a robótica na educação básica

Sobre a presença da programação e da robótica na grade curricular, Moema reforça que essas habilidades devem ser compreendidas como ferramentas e não como disciplinas obrigatórias. 

“A linguagem de programação não é uma disciplina curricular da educação básica, mas pode ser trabalhada como um recurso para ajudar o aluno a buscar soluções e aplicar seus conhecimentos em situações reais”, afirma a professora.

Para ela, a prioridade no ensino básico deve ser a formação humana, garantindo que os alunos aprendam leitura, escrita, matemática e outras áreas fundamentais. 

“A robótica pode ser incorporada dentro dessa perspectiva, auxiliando na resolução de problemas e na conexão entre diferentes áreas do conhecimento”, completa.

Desafios na formação dos professores

Um dos principais desafios para a adoção da tecnologia na educação básica é a capacitação dos professores. Moema ressalta que o termo correto é “formação”, e não “treinamento”. 

“Treinamento é algo mecânico. Já a formação envolve a compreensão do uso das tecnologias dentro do processo de ensino-aprendizagem, permitindo que o professor desenvolva autonomia para explorar diferentes recursos ao longo de sua carreira”, esclarece.

Apesar da existência de programas de formação continuada, a realidade escolar muitas vezes impede a efetiva utilização das tecnologias. 

“Muitos professores recebem formação, mas ao chegar à escola encontram problemas estruturais: falta de equipamentos, internet instável e currículo engessado. Isso gera frustração e, muitas vezes, faz com que desistam de tentar aplicar os recursos tecnológicos”, pontua Moema.

Infraestrutura e realidade escolar

Outro ponto crítico é a infraestrutura das escolas. Programas governamentais distribuem equipamentos e implementam laboratórios de informática, mas a execução nem sempre é eficaz. 

“O professor recebe a formação, mas os equipamentos chegam depois de anos, muitas vezes já obsoletos, ou em quantidade insuficiente. Além disso, as escolas nem sempre possuem internet de qualidade para atender a demanda de alunos simultaneamente”, exemplifica a professora.

Para Moema, a solução passa por um planejamento mais abrangente, que considere não apenas a capacitação dos professores, mas também a estrutura necessária para que as tecnologias possam ser utilizadas de forma eficiente. 

“A tecnologia é uma ferramenta valiosa, mas só ter acesso a ela não basta. Precisamos garantir que o professor tenha condições reais de usá-la em sala de aula”, conclui.

(Professora Moema Gomes | Foto: UFG)

Escolas que são exemplos

Mesmo com tal desigualdade na infraestrutura mostrada pelo Censo Escolar, algumas escolas se destacam como exemplos e até cases de sucesso. Em Goiânia, o Sistema Sagres visitou quatro escolas de diferentes esferas para entender mais e acompanhar de perto. Ao todo, a reportagem visitou duas escolas estaduais, sendo uma militar, uma instituição privada e também uma municipal na capital goiana. Todas elas se destacam no quesito infraestrutura e quando o assunto é tecnologia e educação.

Professores como Thaiza Montine e Adriano Fonseca, do Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás Ayrton Senna, do Jardim Curitiba, em Goiânia, estão à frente desse movimento, utilizando recursos digitais para aprimorar o ensino e engajar os alunos de maneira inovadora. Thaiza, que trabalha com inteligência artificial e gamificação, conta que usa videogames em suas aulas para incentivar a colaboração entre os alunos.

“Eu aplico alguns videogames com os meninos. Às vezes, eu trago o aparelho para o colégio. Eles elegem quem vai tomar posse do controle e criam equipes entre eles”, explica. Além disso, ela destaca a importância da IA na produção e correção de textos e na criação de imagens. “Muitas pessoas acreditam que a IA vai substituir tudo, mas não é bem assim. Se a gente não souber escrever corretamente, o resultado será comprometido”, acrescenta.

Além disso, um dos projetos desenvolvidos por Thaiza foi a criação de um filme fictício sobre biomas, no qual os alunos elaboraram sinopses e cartazes de divulgação. “A ideia era sensibilizá-los sobre poluição e desmatamento. Foi interessante ver como a pontuação correta alterava totalmente a imagem gerada pela IA”, relata.

Professora Thaiza Montine | Foto: Reprodução/Sagres Online

Papel da tecnologia

Do mesmo modo, Adriano, professor de robótica e física, enfatiza o papel da tecnologia na criação e aplicação do conhecimento. “Os alunos constroem robôs não apenas para entender como funcionam, mas para aplicar conteúdos da grade curricular”, afirma. Um exemplo foi uma atividade em que os estudantes programaram um robô para desenhar figuras geométricas, desenvolvendo noções de matemática e lógica.

Adriano destaca uma experiência recente relacionada ao eclipse solar. “Montamos um protótipo que simulava o movimento da Terra em torno do Sol e da Lua em torno da Terra. Com um sensor de luz, os alunos puderam visualizar as sombras e compreender o fenômeno na prática”, conta. 

Para ele, a robótica não é apenas uma disciplina isolada, mas uma ferramenta interdisciplinar que se conecta a outras matérias. “Não é algo separado, acontece de forma natural, porque está dentro do currículo”, conclui.

A adoção de metodologias inovadoras na educação tem mostrado resultados positivos, aumentando o engajamento e a compreensão dos alunos. Com iniciativas como as de Thaiza e Adriano, a tecnologia se firma como uma aliada essencial no processo de ensino-aprendizagem, preparando os estudantes para um futuro cada vez mais digital.

Professor Adriano Fonseca | Foto: Reprodução/Sagres Online

Robótica integrada ao ensino

No colégio, a robótica está integrada ao ensino de maneira ampla. “Aqui na escola, optamos por abrir a robótica para todos os professores, mesmo aqueles que não dão aula diretamente da disciplina. Eles recebem o feedback dos alunos e percebem a diferença no aprendizado”, explica Adriano.

Essa integração tem gerado resultados surpreendentes. O professor compartilhou uma experiência pessoal que exemplifica essa evolução. “Minha filha estuda aqui e, quando cheguei em casa falando sobre figuras geométricas, ela me mostrou o caderno e disse: ‘Pai, a professora de matemática explicou do mesmo jeito que você ensinou com o robô’. Isso mostra que o aprendizado fica mais fixado quando é visual e prático”, relata.

A aplicação de conceitos de robótica não se restringe apenas às séries iniciais. De acordo com Adriano, essa abordagem tem reflexos até no ensino superior. “Eu trabalho na universidade e vejo muitos estudantes chegando com uma base sólida em tecnologia. Alguns alunos que tiveram robótica na educação básica estão desenvolvendo projetos de grande impacto, como aplicativos para melhorar a gestão de cidades pequenas”, afirma.

Adriano complementa com um exemplo inspirador: “Um ex-aluno nosso, Rafael, participou das atividades de robótica na escola. Ele começou cursando Ciência da Computação, mas migrou para a Medicina. Hoje, quer trabalhar com equipamentos médicos e robótica na área da saúde. Isso mostra como a tecnologia pode abrir portas para diversas carreiras”.

(Foto: Guilherme Oliveira/Sagres Online)

Desafios do ensino digital

Apesar dos benefícios, os professores enfrentam desafios na implementação do ensino digital. “A resistência de alguns colegas em aceitar a tecnologia como parte do ensino ainda é um obstáculo. Precisamos entender que a tecnologia está na vida dos alunos e que nós, como educadores, devemos acompanhar essa evolução”, pontua Thaize.

Outro ponto crítico é o uso adequado dos recursos tecnológicos em sala de aula. “Não basta encher a escola de computadores. É preciso que o professor saiba como usar essas ferramentas de forma pedagógica e estruturada”, destaca Thaize. De acordo com ela, o objetivo é transformar a tecnologia em uma aliada do ensino, e não apenas um atrativo para os alunos.

A gestão da escola tem investido na infraestrutura tecnológica, com laboratórios de robótica e distribuição de Chromebooks para os alunos. No entanto, a capacitação dos professores ainda é um desafio. “Existem cursos disponíveis, mas cabe a cada professor buscar a formação adequada. Falta um centro que filtre e organize essas capacitações para facilitar o acesso”, avalia Adriano.

A robótica educacional está se consolidando como uma estratégia eficiente para preparar os estudantes para o futuro. “Ou levamos a tecnologia para dentro das escolas públicas, ou aumentaremos ainda mais o abismo entre esses alunos e o mundo tecnológico que os cerca”, alerta Adriano.

(Foto: Guilherme Oliveira/Sagres Online)

Estudantes relatam experiência com a robótica

À reportagem, estudantes do oitavo ano do ensino fundamental compartilharam suas experiências com a robótica e o impacto dessa disciplina no aprendizado. De acordo com Sara Oliveira, o contato com a robótica acontece semanalmente e é um dos momentos mais aguardados pelos alunos. 

“Normalmente a gente tem robótica um dia da semana. A gente vem pra sala, o professor distribui os tablets, a gente pega a montagem e começa a fazer. É bem legal, porque ele ensina direitinho como faz”, contou. Além da orientação do professor, os estudantes também contam com tutoriais nos tablets, o que facilita a compreensão das tarefas. “É dividido em tarefas para cada um”, acrescentou Sara, destacando a organização da dinâmica em sala.

Para Dimitri Orlatei, a prática é essencial para o aprendizado. “Na prática aprende mais, dá pra você programar e mais”, afirmou. O entusiasmo dos alunos pelo tema levanta uma questão importante: será que esse contato inicial com a robótica pode influenciar a escolha profissional? 

Sara não tem dúvidas. “Eu já pensei em ir mais para área da robótica. Quando eu vim pro colégio, me apaixonei assim, de cara.” Emanuelly Bezerra, aluna do 7º ano, destaca a diferença em relação à sua antiga escola. “É uma aprendizagem nova. Na escola de onde eu vim, não tinha robótica. Aqui, você aprende coisas novas e sente interesse porque acha interessante”, afirmou.

(Foto: Guilherme Oliveira/Sagres Online)

Fixação do conteúdo

Para ela, o contato prático com a tecnologia facilita a fixação do conteúdo. “Sim, consigo aprender melhor colocando a mão na massa”, disse. Já Arthur Francisco, também do 7º ano, ressaltou que, embora o uso de celulares seja proibido em sala, os tablets e computadores fornecidos pela escola são ferramentas importantes para o ensino. 

“Os tablets da robótica e o computador dos professores ajudam bastante, já que o aplicativo das aulas foi feito para essas plataformas”, completou. Quando questionados sobre o impacto da robótica em suas escolhas futuras, os alunos ainda não têm uma decisão definida, mas reconhecem a importância da tecnologia no dia a dia. 

“Ainda não pensamos nisso, mas tudo envolve tecnologia e robótica. Mexer no computador já é lidar com robótica”, refletiu Arthur.

(Arthur Francisco, Dimitri Orlatei, Sara Oliveira e Emanuelly Bezerra | Foto: Guilherme Oliveira/Sagres Online)

Escola é exemplo de utilização de tecnologia em sala

A reportagem também visitou o Colégio Estadual Jardim Vila Boa, em Goiânia. O local disponibiliza equipamentos eletrônicos aos estudantes durante a sala de aula, que são vinculados a uma lousa interativa comandada pelo professor. Além disso, o local conta com um laboratório para aulas práticas de ciências, equipado com ferramentas adequadas, como microscópios, para utilização dos alunos.

A equipe pedagógica implementou uma metodologia de planejamento detalhado, uso de tecnologia e interação contínua com as famílias, proporcionando uma abordagem mais estruturada para os estudantes. O trabalho desenvolvido envolve a organização prévia das atividades, garantindo que os conteúdos estejam planejados com antecedência. 

O planejamento contempla a organização semanal das atividades, com uma programação definida para as turmas, como a do segundo ano do ensino médio, que já possuía atividades marcadas durante quase um mês. A escola conta com uma plataforma digital que facilita o acompanhamento do desempenho dos alunos.

Cada turma tem um drive específico onde são armazenadas as atividades e informações acadêmicas. Apenas a coordenação tem permissão para liberar o acesso, garantindo a segurança dos dados. Esse sistema permite um monitoramento em tempo real, possibilitando que professores e coordenadores acompanhem o andamento das tarefas. Caso um estudante não realize determinada atividade, a família é imediatamente informada.

(Laboratório no Colégio Vila Boa | Foto: Lucas Caetano/Sagres Online)

Lousa digital

Além disso, o uso da lousa digital é uma ferramenta essencial no processo. Os professores podem marcar as atividades realizadas, acompanhar a participação dos alunos e garantir que todos estejam engajados no aprendizado. Outro ponto importante destacado é a flexibilidade do planejamento, permitindo a adaptação conforme as necessidades de cada turma.

A interação constante entre os professores garante que os horários e conteúdos sejam ajustados de maneira eficiente, sempre priorizando o aprendizado dos alunos. Além disso, outra nova abordagem na avaliação escolar está sendo implementada com o objetivo de oferecer um acompanhamento mais detalhado do desempenho dos alunos ao longo do ano letivo.

A proposta inclui ferramentas que permitem monitorar o aprendizado de forma contínua, possibilitando intervenções mais rápidas e eficazes. O objetivo é tornar a avaliação mais dinâmica e menos dependente das tradicionais provas ao final de cada bimestre. Agora, os alunos são acompanhados por meio de avaliações em blocos, permitindo um diagnóstico mais preciso de suas dificuldades e progressos.

(Alunos contam com lousa digital e notebooks durante aula no Colégio Vila Boa | Foto: Lucas Caetano/Sagres Online)

Monitoramento frequente

Uma das grandes inovações desse sistema é a possibilidade de monitoramento frequente do aluno. Em vez de esperar por resultados finais, os professores conseguem identificar dificuldades em tempo real e chamar os responsáveis para dialogar sobre o desempenho dos estudantes.

Outro ponto destacado no novo modelo é o reforço positivo. O sistema também valoriza o empenho dos estudantes nas atividades diárias, garantindo que o esforço seja considerado no processo avaliativo.

A nova metodologia também fortalece a ligação entre professores, coordenação e familiares. A ideia é que a escola tenha um registro detalhado de cada aluno e que a gestão possa intervir sempre que necessário.

(Laboratório no Colégio Vila Boa conta também com microscópios para os alunos | Foto: Lucas Caetano/Sagres Online)

Instituição se destaca na educação inclusiva

Na busca por uma educação mais inclusiva e acessível, a professora Vanilda Pacheco tem se dedicado a um projeto inovador que atende alunos com diferentes tipos de deficiência. Ao Sistema Sagres, ela destacou a importância de um espaço sensorial voltado para o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional dos estudantes.

“Esse ambiente não é apenas para alunos autistas, mas também para aqueles com deficiência intelectual, síndrome de down e outras deficiências”, explicou a professora. “Aqui, trabalhamos diversas habilidades essenciais para a autonomia deles no dia a dia.”

O espaço conta com materiais específicos para estimular os sentidos e melhorar a coordenação motora dos alunos. “A gente trabalha o tato, texturas diferentes, o macio, o áspero, o mole. Além disso, ajudamos no desenvolvimento de habilidades como abotoar camisas, fechar cintos e mexer com zíperes, que são desafios para muitos dos nossos estudantes”, detalhou Vanilda.

A professora também destacou que o ambiente precisa ser adaptado às necessidades individuais de cada aluno. “Se um estudante autista é sensível ao som ou a cores fortes, precisamos ajustar o espaço para que ele se sinta confortável e possa aprender melhor”, explicou.

(Sala no Colégio Vila Boa utiliza tecnologia para conduzir educação inclusiva aos alunos | Foto: Lucas Caetano/Sagres Online)

Parcerias e impacto na aprendizagem

Além do trabalho pedagógico, Vanilda reforçou a importância de parcerias para ampliar o alcance do projeto. “Estamos aguardando uma professora de fonoaudiologia com estagiários para atuarem aqui. Queremos que mais profissionais possam contribuir para o desenvolvimento dos nossos alunos”, disse.

Ela também ressaltou que muitas escolas e até clínicas não possuem espaços adaptados como este. “O acesso a um ambiente assim é quase impossível para muitos estudantes. Nosso objetivo é garantir que eles tenham essa oportunidade e que o aprendizado seja mais prazeroso”, afirmou.

O impacto positivo do projeto já pode ser observado no dia a dia dos alunos. De acordo com Vanilda, o entusiasmo deles ao frequentar o espaço é evidente. “Eles ficam malucos quando vêm para cá. É um ambiente que realmente funciona e ajuda no aprendizado”, celebrou.

A professora também destacou que, além do desenvolvimento motor e sensorial, os alunos são estimulados na parte cognitiva, como na leitura, escrita e raciocínio lógico. “Temos alunos organizando frases, trabalhando a memória e até resolvendo cálculos matemáticos. Cada um aprende no seu ritmo e com os recursos adequados”, concluiu.

(Professora Vanilda Pacheco | Foto: Lucas Caetano/Sagres Online)

Parceria com o Google for Education

Goiás fechou uma parceria com o Google for Education para investimentos em instituições, como o Colégio Vila Boa, como a distribuição de mais de 251 mil Chromebooks.

Além disso, entrega de 5.500 computadores, 28.000 notebooks para professores, 951 laboratórios móveis, cada um equipado com 44 Chromebooks, e distribuídos 28.000 tablets para alunos do CadÚnico, indígenas e quilombolas. Também foram fornecidos 410.000 chips de internet para esses públicos, garantindo maior conectividade.

“Foi incrível ver a parceria entre os professores, a administração, os alunos, a comunidade e os pais e como a tecnologia pode ajudar os alunos a darem o melhor de si. A escola estabelece um padrão muito alto e todos se superaram, e é simplesmente incrível. Estou saindo daqui me sentindo maravilhado com nossa parceria”, afirmou à reportagem o diretor mundial da Google for Education, Kevin Kells.

(Entrega dos equipamentos com o Google for Education | Foto: Lucas Caetano/Sagres Online)

Exclusiva com o Google

O jornalista do Sistema Sagres, Rubens Salomão, também conversou com o Kells em entrevista exclusiva para a coluna Sagres em Off. O diretor destacou o comprometimento do estado na área educacional, após conhecer a metodologia na Escola Vila Boa. “Todo mundo tem uma visão para educação, mas poucos cumprem o dever de executar projetos importantes para o aprendizado dos estudantes”, disse Kells sobre a integração.

“Tem uma semente muito diferente nascendo aqui, que o resto do Brasil, da América Latina e do mundo precisam conhecer”, afirmou o CEO da multinacional. Kevin Kells ressaltou que um diferencial é que Goiás conta com o envolvimento e integração da comunidade e dos pais na educação dos filhos. “Tudo isso vem das centenas de projetos desenvolvidos por esta gestão e nós somos um deles. É uma honra fazer parte desse trabalho”, disse.

“Nós queríamos vir para Goiás para agradecer pela parceria de longo tempo e também para vermos em primeira mão tudo o que está acontecendo. Há muito trabalho e mudanças que têm ocorrido nos últimos anos. Estamos muito empolgados com o futuro por aqui, com a inclusão da inteligência artificial e para continuarmos a ajudar o desenvolvimento de Goiás”, explicou Kevin.

“Nós olhamos para a tecnologia para tentar transformar digitalmente. Se olharmos para o estudante, nós avaliamos a forma como a sala de aula se organiza e buscamos elevar o aprendizado de cada aluno individualmente. Com ações para que professores e alunos sejam o melhor que eles podem ser, pensando nos seus futuros”, disse o executivo à Sagres.

INTEGRAÇÃO KEVIN KELLS E CAIADO
(Kevin Kells durante reunião com o governador Ronaldo Caiado (UB) | Foto: Divulgação)

Estudantes como futuro da tecnologia

Questionado, Kevin Kells avalia como o trabalho da Google For Education se relaciona com os objetivos da multinacional. “Nós não somos uma parte que busca maximizar os lucros de nenhuma empresa”.

“Damos muitas ferramentas e muitos treinamentos gratuitamente. Com isso, aumentamos o valor de volta ao sistema educacional, porque acreditamos profundamente nisso”, afirmou.

“O que também permite que os estudantes se tornem parte do futuro da tecnologia. E muitos poderão se desenvolver nas áreas de engenharia e tantas outras. Isso nos beneficia neste sentido para darmos investimentos de volta para a educação”, conclui.

Alunos aprovam a metodologia

A reportagem ainda conversou com estudantes que destacaram como os recursos digitais vêm facilitando o aprendizado e incentivando a criatividade. Carlos Eduardo, aluno do 2º ano do ensino médio, explicou como as aulas são conduzidas no dia a dia.

“As aulas são conduzidas com tecnologia, com pesquisa. Por exemplo, uma aula sobre meio ambiente. A gente vai entender sobre o tema e, com a pesquisa nos Chromebooks, conseguimos aprender mais”, afirmou.

O uso da tecnologia também torna o ensino mais acessível e organizado. “Cada aluno tem seu material. O professor escreve no quadro e o conteúdo vai diretamente para a gente. É tudo interativo”, destacou Carlos.

A aluna Dayane Pires, também do 2º ano, acredita que essa abordagem facilita o aprendizado. “Hoje em dia, a tecnologia está envolvida em muita coisa. Se usarmos isso para o bem, podemos evoluir ainda mais”, disse. 

Seduc avalia que tecnologia e inovação transformam a educação

De acordo com Lauriane de Lourenço, chefe de núcleo do ensino médio da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), o currículo da rede estadual incorpora progressivamente recursos digitais para desenvolver competências tecnológicas nos alunos. 

“A Educação Digital é parte do currículo e está presente em diversas disciplinas, como matemática, ciências e línguas”, explica Lauriane. Apesar de não haver um currículo exclusivamente voltado para tecnologia, ela é trabalhada de forma transversal, com o uso de plataformas de ensino a distância e ferramentas interativas.

A abordagem pedagógica busca equilibrar teoria e prática, especialmente em ciências e matemática. “Nas escolas que possuem laboratórios, incentivamos a experimentação, com atividades práticas em robótica, ciências da natureza e programação”, afirma Lauriane. 

Além disso, ambientes virtuais de aprendizagem permitem que os alunos realizem experimentos e simulações digitais, ampliando suas experiências além da sala de aula tradicional.

Projetos interdisciplinares e incentivo à inovação

A rede estadual de ensino incentiva projetos interdisciplinares que envolvem tecnologia, promovendo feiras de ciências, competições de robótica e hackathons educacionais, como a Campus Party. 

“Buscamos integrar diferentes áreas do conhecimento, aliando teoria e prática com o uso de recursos tecnológicos”, destaca Lauriane. Além disso, os alunos são incentivados a desenvolver iniciativas próprias, como participação em olimpíadas do conhecimento e projetos de iniciação científica. 

“Essas oportunidades ajudam a desenvolver a criatividade e o espírito empreendedor dos estudantes”, acrescenta. A formação contínua dos professores é um dos pilares para a implementação eficaz da tecnologia nas escolas. “Oferecemos cursos de capacitação focados no uso pedagógico das tecnologias, com treinamentos presenciais no LABCRIE, na Sala Google e na Escola Virtual do CEPFOR”, explica Lauriane. 

No entanto, a especialista reconhece que ainda há desafios, como a disparidade de recursos entre escolas urbanas e rurais. “Apesar dos investimentos, algumas unidades enfrentam dificuldades de acesso à tecnologia, especialmente em regiões mais afastadas”, ressalta.

Interesse crescente e oportunidades para ex-alunos

O impacto do ensino tecnológico tem sido positivo entre os estudantes, que demonstram maior interesse por áreas como programação, robótica, inteligência artificial e engenharia. 

“O uso de tecnologias interativas tem estimulado a curiosidade dos alunos e aumentado o engajamento”, afirma Lauriane. Esse aprendizado tem refletido também em boas oportunidades acadêmicas e profissionais para ex-alunos. 

“Temos casos de estudantes que se destacaram em competições nacionais e internacionais, conquistando bolsas de estudo e vagas em grandes empresas de tecnologia”, relata.

Preparação para o mundo digital

As escolas com melhores resultados no ensino tecnológico apostam em ambientes inovadores, como laboratórios de informática e salas especializadas em robótica e programação. 

“Projetos de empreendedorismo digital, como a criação de aplicativos e participação em hackathons, ajudam a preparar os alunos para o mercado de trabalho”, destaca Lauriane. 

A formação em competências digitais é cada vez mais valorizada, garantindo que os estudantes saiam do ensino médio prontos para os desafios da era digital.

(Lauriane de Lourenço | Foto: Reprodução/Sagres Online)

Sesi Planalto impulsiona aprendizado e inovação

A robótica educacional tem sido um diferencial para os alunos do SESI Planalto, proporcionando um aprendizado inovador e prático. Segundo o diretor da instituição, Rogério Viana, todos os estudantes têm acesso a essa ferramenta, que é integrada ao ensino de forma estratégica.

“Todos os nossos alunos têm acesso à robótica educacional. Como é feito o processo de escolha desses alunos? O primeiro movimento parte do aluno. Muitos querem participar, mas existe um perfil. Eu não tenho os melhores alunos reunidos no processo, eu tenho o perfil certo para cada função do aluno”, explica o diretor.

O SESI Planalto investe fortemente na infraestrutura tecnológica. Atualmente, a escola conta com seis ambientes destinados à robótica, incluindo salas de aula e espaços de treinamento.

(Estudante do SESI Planalto explica funcionamento de um robô | Foto: Reprodução/Sagres Online)

Além disso, há equipamentos de ponta, como impressoras 3D, usinagem CNC e cortadoras a laser. “A escola começou a investir em robótica há 11 anos. Hoje temos até uma máquina de corte laser industrial, que permite cortes mais precisos e ampliados, facilitando o trabalho dos alunos”, destaca Viana.

Um dos grandes feitos da escola foi o desenvolvimento do projeto “Hidragel”, que recebeu destaque nacional. A iniciativa buscou solucionar um problema enfrentado por mergulhadores: a sequidão da garganta causada pelo ar seco do equipamento de mergulho. 

Os estudantes propuseram um gel aplicado ao bocal, estimulando a produção de saliva e reduzindo o desconforto. “O projeto foi nota 1000. Todos os anos, nossos alunos são estimulados a apresentar ideias inovadoras”, celebra o diretor.

(Robô construído por alunos do SESI Planalto | Foto: Reprodução/Sagres Online)

Resultados acadêmicos

O incentivo à ciência e à tecnologia também reflete nos resultados acadêmicos. O SESI Planalto foi a segunda escola do país em número de medalhistas na Olimpíada Nacional de Eficiência Energética, além de ter se destacado na Olimpíada Nacional de Ciências e na Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (FEBRASCE).

“Nosso objetivo é dar significado ao aprendizado. Quando oferecemos estrutura e oportunidades, os resultados são uma consequência natural”, afirma Viana. Apesar do avanço, ainda existem desafios.

Questões como a logística de transporte dos alunos e a falta de estrutura familiar podem dificultar a permanência no programa. No entanto, a escola busca criar ambientes que incentivem a permanência e o desenvolvimento acadêmico dos estudantes.

Ex-alunos

O impacto da robótica educacional no SESI Planalto é evidente nas trajetórias dos ex-alunos. “Miguel, por exemplo, seguiu carreira na medicina, mas continua envolvido com a robótica como voluntário. Mateus dos Santos, ex-vice-campeão mundial de robótica, tornou-se jornalista e trabalha com vocês na Sagres, e Ana Merredin, que iniciou a formação em desenvolvimento de sistemas, mudou para pedagogia e hoje é professora trainee na escola”, conta.

“A robótica transforma vidas. Se eu tivesse tido essa oportunidade no meu tempo de estudante, minha vida teria tomado um outro caminho”, finaliza Viana. Segundo Viana, os alunos “ganham muito em desenvolvimento”, e o programa acaba se tornando “um processo de educação integral”. O diretor explicou que a robótica não é um componente curricular isolado, mas sim uma ferramenta que se integra a outras disciplinas. 

“A robótica conosco é interdisciplinar. Então o professor de ciências, por exemplo, vai trabalhar sistema circulatório. Então ele vai, juntamente com a aula de robótica, os meninos vão construir um coração, programar o coração para fazer o movimento. O aluno sai do imaginário, ou do livro, e vai entender toda aquela questão da pressão arterial, o funcionamento do coração”.

(Rogério Viana, diretor do SESI Planalto | Foto: Reprodução/Sagres Online)

Caminhos para o futuro

À reportagem, Juan Alves, aluno do 3º ano do ensino médio, e Thauany de Paula, do 2º ano, compartilharam suas experiências e percepções sobre o impacto da robótica na educação.

Juan destacou a liberdade e os recursos disponíveis para o desenvolvimento dos projetos. “Basicamente, a galera deixa a gente fazer o que quiser no robô. Tem uma equipe gringa que aplica inteligência artificial, então temos uma biblioteca de recursos muito grande. A comunidade da competição é muito aberta e sempre tem gente disposta a ajudar.”

O estudante também ressaltou a abordagem pedagógica que alia teoria e prática. “A gente passa por um processo grande de aprendizado, estudando temporadas anteriores e contando com o apoio dos nossos técnicos, Fernando e Nicolas. Eles sempre nos guiam e ajudam a seguir os passos corretos.”

Para Juan, a robótica vai muito além da tecnologia. “Foi com o SESI que realizei vários sonhos, como minha primeira viagem de avião e uma ida aos Estados Unidos. O SESI sempre nos apoia, seja com material, conhecimento ou até mesmo finanças.”

Preparação

Thauany reforçou como essa abordagem impacta sua preparação para o futuro. “Ter a robótica educacional na grade horária nos ajuda a estar mais preparados para o mercado de trabalho. Desenvolvemos habilidades como comunicação e gestão de tarefas, o que nos permite evoluir não só na robótica, mas também em outras áreas.”

Mesmo com seu envolvimento com a robótica, Juan pretende cursar Direito. “Foi na robótica que descobri o que queria fazer da vida. Apesar de lidar com software e hardware, percebi que gosto muito de regras, desafios e estratégia. Também desenvolvi minha habilidade de comunicação. Antes, não conseguia me expressar. Com o tempo, fui percebendo que gosto de debater, ler regras e defender ideias. Foi assim que decidi pelo Direito.”

Para Thauany, os aprendizados adquiridos na escola terão um impacto duradouro. “As profissões do futuro estão ligadas à tecnologia, à indústria, ao desenvolvimento de software. Aqui no SESI, temos essa realidade muito presente, o que nos prepara melhor para os desafios do mercado de trabalho.”

(Thauany de Paula e Juan Alves | Foto: Reprodução/Sagres Online)

Laboratório maker

Recentemente, a Escola Municipal Alonso Dias celebrou a inauguração do seu novo Laboratório Maker, um espaço inovador voltado para o aprendizado interdisciplinar e tecnológico.

Um laboratório maker é um espaço de aprendizagem que incentiva a criatividade e a experimentação. É um ambiente onde os alunos podem construir projetos e resolver problemas reais. 

A diretora da unidade, Nair Pereira Santos Chagas, destacou a importância do novo ambiente para o desenvolvimento dos alunos e o compromisso da gestão em expandi-lo conforme a necessidade.

“É o início. A gente acredita que, com o decorrer do tempo, o projeto vá se desenvolver e o fluir. Acredito que consigamos ampliar”, afirmou a diretora. Segundo ela, cada turma, do primeiro ao quinto ano, terá duas aulas semanais no local, o que já representa um grande avanço em relação à estrutura anterior.

O professor Neuber Figueiredo de Castro ressaltou que o Laboratório Maker traz um diferencial ao integrar tecnologia ao ensino de maneira prática. “A teoria é prática, e a prática é teoria. Aqui, os alunos colocam a mão na massa, entendendo os processos de forma concreta”, explicou.

A interdisciplinaridade também é um dos pilares do novo espaço. “Os alunos que escrevem livros, por exemplo, usam computadores para pesquisa e edição, integrando conhecimentos de língua portuguesa, história e tecnologia”, explicou Neuber. Além disso, a interação com ferramentas audiovisuais permite que os estudantes explorem novas formas de expressão e aprendizado.

(Inauguração do laboratório maker na Escola Alonso Dias | Foto: Guilherme Oliveira/Sagres Online)

Robótica

A robótica também está presente no projeto pedagógico da escola. Em parceria com o Instituto Federal de Goiás (IFG), a escola participa anualmente de uma Feira de Ciências, na qual já conquistou premiações. “A grande motivação é fazer com que os alunos percebam a utilização prática do que estão aprendendo”, destacou Neuber.

Outro aspecto enfatizado pela diretora e pelo professor foi o impacto da tecnologia na autoestima e no protagonismo dos alunos. “Na nossa escola, não existem alunos invisíveis. Trabalhamos para que todos se sintam parte do processo de aprendizado”, disse Nair. 

Ela destacou que a educação antirracista também tem sido incorporada, resultando em mudanças na postura e na confiança dos estudantes. Neuber acrescentou que o Laboratório Maker também incentiva a autonomia dos alunos. “Eles pesquisam, questionam, produzem e, muitas vezes, ensinam uns aos outros. Esse é um dos maiores ganhos que temos observado.”

(Diretora Nair Pereira e professor Neuber Figueiredo | Foto: Reprodução/Sagres Online)

Investimento

Presente durante a inauguração do Laboratório Maker, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB) destacou a importância da tecnologia no aprendizado das crianças. O chefe do Executivo municipal enfatizou que o investimento em inteligência artificial, robótica e outras ferramentas tecnológicas é essencial para reduzir a disparidade entre as escolas públicas e privadas.

“Se você deixar um menino de 4, 5, 6, 7 anos sem mexer com esse tipo de equipamento, ele vai ficar muito para trás. Antigamente, a diferença entre as escolas era pequena, mas hoje, com o avanço tecnológico, há um abismo entre uma escola que ensina inteligência artificial e robótica e outra que não ensina. Em cinco ou seis anos, teremos crianças com formações completamente diferentes”, afirmou o prefeito.

Para Mabel, é fundamental que essa revolução tecnológica comece desde a primeira infância. “As nossas crianças da escola pública vão ter acesso a essa realidade. Tenho conversado com a professora Gisele [secretária] sobre a necessidade de estimular os pequenos nas nossas CMEIs e creches. O objetivo é que elas saiam da escola com um conhecimento diferenciado e mais inteligência”, explicou.

Modernização

A modernização das salas de aula também faz parte do projeto, com a instalação de lousas eletrônicas e outros equipamentos que facilitem o aprendizado digital. “Cada lousa custa cerca de R$ 25 mil. Como temos 381 escolas, esse investimento será de vários milhões. Mas nós não vamos economizar nisso. Vamos aplicar os recursos necessários para garantir que o aluno da escola pública tenha a mesma ou até melhor formação do que o da escola privada”, garantiu Mabel.

Para viabilizar esse investimento, a prefeitura adotará medidas de economia dentro das próprias unidades escolares. “Cada escola terá sua DRL, que permitirá controlar gastos com eletricidade, ar-condicionado e outros recursos. Dessa forma, conseguiremos direcionar mais dinheiro para a educação”, revelou o prefeito.

Mabel citou sua experiência no SESI e no SENAI como referência para a implementação do projeto e destacou a necessidade de agir rapidamente para garantir um futuro promissor para os estudantes. “Não podemos permitir que o aluno da escola pública fique atrás. Precisamos trazê-lo para o mesmo nível da escola privada o mais rápido possível”, concluiu.

Engajamento

A rede municipal de ensino está apostando na cultura maker como uma ferramenta essencial para transformar a forma como os alunos aprendem. A proposta, segundo a secretária municipal de Educação, Giselle Faria, é ir além do ensino tradicional e proporcionar aos estudantes uma experiência de aprendizado mais dinâmica e significativa.

“A importância é da criança ter a oportunidade de estudar numa escola que vai ensinar para além daquilo das disciplinas. A cultura maker vai fazer com que a educação para ela faça sentido no que diz respeito a fazer, a produzir, a pôr a mão na massa, a aprender de um jeito diferente”, afirmou a secretária.

Para Giselle Faria, a escola precisa acompanhar as mudanças da sociedade e do perfil dos estudantes. “As nossas escolas, se você parar para pensar, é o mesmo modelo há centenas de anos. E o nosso aluno mudou, ele não é mais esse aluno que aprende numa escola igual aprendia antigamente. Então, ele precisa ter o contato com as coisas, ele precisa ter o concreto, ele precisa ver o que a professora está ensinando, como aquilo se aplica na prática”, explicou.

A inclusão da cultura maker na matriz curricular já está em andamento nas escolas que contam com laboratórios especializados. “Hoje, você precisava ver a alegria dos meninos quando o professor que cuida dessa disciplina apresentou o projeto. Eles se envolvem, participam, e isso transforma a relação deles com o aprendizado”, destacou a secretária.

Trabalho pedagógico

Além de incentivar a criatividade e a autonomia dos alunos, a iniciativa está sendo alinhada ao trabalho pedagógico das escolas. “Esse trabalho tem que ser aliado com o trabalho pedagógico da escola. Então, não basta nós colocarmos laboratório maker e ele não conversar com os professores e os professores não colaborarem com o que esse trabalho está sendo feito. O que que isso contribui na matemática? O que que isso contribui na língua portuguesa?”, questionou Giselle.

A secretária também citou um exemplo do impacto da cultura maker na aprendizagem. “Para você ter noção, da cultura maker, do laboratório maker, aqui sai um livro. Hoje em dia, você pode ver que a questão de escrever um livro é uma produção cultural muito grande. O professor falou de letramento, de envolvimento com a escola, e esses alunos tiveram oportunidade de ler, de aprender”, relatou.

Segundo Giselle Faria, o compromisso é continuar investindo nesse modelo de ensino. “Nós estamos querendo fazer tudo isso. E sem perder a função da escola, que é a do pedagógico também. Esse vai ser o diferencial”, concluiu.

Relação com o curso de IA

A Universidade Federal de Goiás (UFG) lançou recentemente seu curso de Inteligência Artificial (IA), atraindo estudantes com diferentes formações e habilidades. Segundo o vice-diretor do curso, Iwens Gervásio Sene Júnior, a seleção ocorre pelo Sistema de Seleção Unificada (SISU), o que resulta em um grupo heterogêneo de ingressantes.

“A gente recebe tanto alunos com uma formação muito boa, porque já tinham feito cursinho antes ou se dedicaram mais à matemática, quanto estudantes que nunca tiveram contato com programação”, explica o professor. Ele destaca que, apesar dessas diferenças, os alunos conseguem evoluir juntos ao longo do curso: “Os que têm um pouco mais de dificuldade acabam recebendo ajuda daqueles que possuem mais conhecimento”.

A base em matemática e raciocínio lógico é essencial para um bom desempenho acadêmico, segundo Iwens. “A matemática é fundamental e é exigida nos primeiros anos do curso. Já a programação é muito particular de cada um: tem alunos que já tiveram experiência e outros que nunca haviam programado”.

Contato com IA e o papel do ensino médio

A popularização da inteligência artificial, especialmente com chatbots e sistemas de reconhecimento facial, tem despertado o interesse dos jovens pela área. “Todos acabam tendo algum contato com IA no dia a dia. Talvez isso motive alguns a procurarem cursos da área”, comenta o professor.

Iwens também ressalta a importância de uma boa formação básica no ensino médio para que os alunos consigam acompanhar o curso de IA com mais facilidade. 

“Português e matemática são fundamentais em todos os sentidos. A capacidade de escrever bem e passar comandos de forma clara para a máquina faz toda a diferença”.

Iniciativas de aproximação com o ensino médio

Para despertar o interesse dos estudantes pelo curso de IA e preparar melhor os futuros ingressantes, a UFG tem realizado iniciativas de aproximação com as escolas.

“No Centro de Excelência em Inteligência Artificial, promovemos programas onde levamos informações sobre o curso para os estudantes do ensino médio. Participamos de feiras e eventos com nosso cão-robô, o Beatdog, e organizamos a fase regional da Olimpíada Brasileira de Robótica”, conta o vice-diretor.

A universidade também recebe convites para visitar escolas e divulgar o curso. “Acreditamos que levar alunos para falar sobre a graduação torna a linguagem mais acessível e conecta melhor com os estudantes”, afirma.

Possíveis mudanças na educação básica

O professor defende que o ensino médio poderia incluir mais conteúdos introdutórios de pensamento lógico, independentemente da área de atuação futura do estudante.

“Mesmo quem for cursar Direito ou Farmácia se beneficiaria desse conhecimento”, argumenta. Ele relata sua experiência no exterior e compara os modelos educacionais.

“Morar um ano e meio na Inglaterra me fez perceber que, no Brasil, o conteúdo é muito profundo em algumas áreas, mas falta experiência com outras habilidades. Pequenas mudanças na forma de ensino podem fazer uma grande diferença”.

(Professor Iwens Sene | Foto: Reprodução/Redes sociais)

*Obs.: Na tentativa de contemplar o ensino privado e o público, por meio de instituições municipais, estaduais e federais, nossa reportagem tentou contato, desde a última semana, com a professora de informática do Cepae UFG, mas não conseguiu fazer a entrevista. O espaço segue aberto

*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). ODS 04 – Educação de Qualidade

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