Um estudo feito na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) pesquisou sobre um grupo de plantas do gênero Herbertia, da família Iridaceae, e descobriu importantes propriedades do pólen da mesma. As flores aparecem comumente na primavera, mais precisamente, entre os meses de outubro e dezembro.

O foco da pesquisa foi na espécie mais comum da planta, Herbertia lahue, em que somente de olhar já é possível perceber diferenças entre elas. Isso se dá, segundo o estudo, por variações na composição dos cromossomos da flor, apesar da mesma espécie.

Para entender melhor, um ser humano, que é da espécie Homo sapiens sapiens, geralmente apresenta 46 cromossomos no seu DNA, 23 vindos do pai e os outros 23 da mãe, ou diploidia. No caso da Herbertia lahue, existem plantas com diferentes esquemas no seu código genético. Esse fenômeno é chamado de poliploidia.

Sendo assim, enquanto nós somos compostos apenas por dois conjuntos de cromossomos (oriundos do pai e da mãe), essas plantas possuem três ou mais. Apesar disso, o estudo destaca que essa não é a novidade, já que esse fenômeno é comum nos vegetais.

Com essa particularidade, a Herbertia lahue apresenta diferentes propriedades dos seres diploides, por exemplo. No aspecto de reprodução, o pólen, que faz o papel do “masculino”, se torna uma ferramenta essencial para ser estudada.

Resultados

A partir disso, as pesquisadoras Caroline Trevelin e Eliane Kaltchuk dos Santos, concluíram que a quantidade de pólen dessa planta poliploide foi muito menor do que em diploides. Sendo assim, a poliploidia pode ajudar em estratégias de reprodução distintas, como clonagem e até mesmo a autofertilização.

Além disso, o estudo descobriu que o tamanho dos grãos de pólen também foi diferente, com os poliploides tendo mais DNA e, consequentemente, tendo grãos maiores. Isso é importante, de acordo com a pesquisa, para estudos em programas de melhoramento genético.

Por fim, a pesquisa concluiu também que seres poliploides, como a planta estudada, possivelmente seguiram diferentes tipos de evolução ao longo dos anos em relação aos diploides, vegetais que possuem cromossomos oriundos de apenas dois conjuntos, esquema semelhante ao dos seres humanos. O estudo ainda abre a possibilidade para Herbertia, nativa do Brasil, servir como modelo evolutivo.

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