Um levantamento da Publishing Perspectives de 2022 mostra que 72% dos profissionais que trabalham no mercado editorial são mulheres. A mentora Yara Fers é uma delas. Mas, apesar de escrever poesias desde os oito anos, ela só conseguiu publicar o primeiro livro aos 38 anos, o que acontece com muitas mulheres.
Atualmente ela tem 12 livros publicados. No entanto, Fers é uma profissional do mercado editorial que criou sua própria editora e faz um trabalho artesanal.
“Eu criei a minha própria editora de livros artesanais, a gente faz livros costurados a mão, que é a [Editora] Arpillera. E então a minha trajetória hoje tem a ver não só com escrever os meus próprios livros, mas também tentar trazer outros livros para o mundo através dessa editora de livros artesanais, através da mentoria, dos cursos que dou para tentar partilhar um pouco do conhecimento que eu tenho sobre essa trajetória”, disse.
Barreira
Apesar de ser formado por maioria de mulheres, o mercado editorial só abriu oportunidades à medida em que as próprias mulheres furaram a bolha e a custo de muito esforço ocuparam espaços nas pequenas e nas grandes editoras. No entanto, é uma dificuldade que ainda existe.
“Até hoje existe uma barreira grande para publicar, chegar numa grande editora, ser mesa em eventos literários e estar em feiras literárias. Então, assim, tem muito a ver com as autoras forçarem mesmo essa porta, tentarem furar essas bolhas para poder ocupar esses espaços e muitas têm feito isso através de coletivos, através de clubes de leitura de mulheres. Então, é a própria organização dessas mulheres escritoras que vem conseguindo romper espaços, abrir fissuras para poder ocupar com suas vozes o mercado editorial”, contou.
Cargos de gestão
Yara Fers ressaltou que pesquisas apontam que mulheres são a maioria entre as pessoas que leem no país. Mas frisou que seria necessário que elas avancem para cargos de gestão nas editoras e nos eventos literários para possibilitar uma mudança no cenário de publicações no Brasil e no mundo.
“Ter editoras independentes e chefiadas por mulheres que tem sim a priorização na publicação de vozes de mulheres, de pessoas negras, de pessoas LGBTs, de pessoas indígenas, que historicamente estão marginalizadas”, opinou.
A mentora afirmou que a participação das mulheres nesses cargos de gestão é a chave para mudanças em todo o mercado editorial.
“Então, o papel de ter hoje editoras independentes, editoras que são coordenadas por mulheres e também ter nos festivais, nas feiras literárias, nas bienais mulheres na curadoria, isso vai fazer com que essas vozes participem mais desse cenário. Então faz toda a diferença ter as mulheres participando também dessas outras partes da cadeia do livro”, disse.
*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta matéria, o ODS 04 – Educação de Qualidade.
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