O promotor de Justiça Maurício Gonçalves de Camargo ofereceu denúncia contra Frederico Barbosa Cabral, por três tentativas de homicídio, ocorridas em 11 de agosto último, num cruzamento do Setor Sul, em Goiânia, pouco depois da realização de um jogo de futebol no Estádio Serra Dourada. Na ocasião, o motorista atropelou dolosamente três rapazes, causando-lhes lesões corporais, iniciando, assim, a execução dos homicídios, que não se consumaram por circunstâncias alheias à sua vontade, sustenta o promotor.
Crime
Consta de inquérito policial que Frederico foi, naquele sábado, até a casa de um amigo, em Aparecida de Goiânia, por volta das 11 horas. Lá, ficou em companhia dos amigos, bebendo cerveja e comendo carne assada, até 17h30, de onde saiu com destino a Goiânia, dirigindo uma caminhonete Nissan Frontier, em visível estado de embriaguez.
Na denúncia, o promotor relata que o denunciado passou em frente ao Shopping Flamboyant e desceu a Avenida E, com destino ao Setor Sul, parando no cruzamento da Marginal Botafogo com a Rua 88, porque o sinal estava fechado para ele.
Coincidentemente, pouco depois da partida entre as equipes do Goiás e do Boa Esporte, inúmeros torcedores caminhavam pela Rua 88, também em direção ao Setor Sul.
Assim que o sinal abriu, o denunciado virou à esquerda, pegou a Rua 88, e, de saída, imprimiu velocidade incompatível para o local, além de provocar um grupo de torcedores, passando bem perto deles, chegando a esbarrar em um rapaz que caiu e depois saiu correndo.
Na sequência, conta o promotor, Frederico avançou um sinal vermelho e entrou à direita na Rua 115, que é de mão dupla. Ao entrar nessa via, em direção ao Cepal, ele continuou acelerando e, depois de percorrer algumas quadras, resolveu voltar para a 88, onde estavam os torcedores. Deu, então, um “cavalo de pau”, batendo num carro que estava estacionado em lote vago. Voltando, o denunciado chegou no cruzamento das Ruas 115 com a 88. Com o sinal fechado, muitos torcedores faziam a travessia na faixa de pedestre, momento em que o denunciado acelerou a caminhonete e a jogou sobre as pessoas, causando ferimentos nos três rapazes; um deles sofreu lesões mais graves, ficando, inclusive, alguns instantes debaixo do veículo.
Depois de atropelar e arrastar uma das vítimas por alguns metros, o carro de Frederico se chocou com outro veículo. Por isso, o carro desligou, permitindo que o rapaz fosse retirado debaixo da caminhonete.
Quando o denunciado conseguiu funcionar novamente o carro, saiu em alta velocidade pela Rua 88, tendo sido seguido por um motoqueiro que passava pelo local. Essa testemunha avistou uma viatura da PM e comunicou o ocorrido, possibilitando a prisão de Frederico.
Para o promotor, o motorista, ao dirigir o seu veículo sob o efeito de álcool, e avançar um sinal vermelho com a finalidade de atropelar pessoas, assumiu o risco de matá-las, caracterizando o dolo eventual, cujo resultado morte só não ocorreu por circunstâncias alheias à sua vontade. Para o MP, o denunciado ainda premeditou a prática do fato, uma vez que, após ter provocado um grupo de torcedores, seguindo pela Rua 115, se encontrando distante deles, ao invés de seguir em frente, resolveu voltar pela mesma via onde eles estavam, com o objetivo de novamente confrontá-los, não titubeando em promover o atropelamento.







