Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontou que o mundo tem recurso financeiro suficiente para reduzir emissões de carbono. Divulgado nesta segunda-feira (20), é a quarta e última parte do sexto relatório de avaliação (AR6).

Cientistas climáticos do mundo trouxeram as descobertas mais importantes das outras três seções, além de fazer uma revisão do conhecimento global sobre mudanças climáticas. O relatório chama atenção sobre o futuro, apontando política e ações para diminuir os impactos de mais aquecimento global.

O documento também afirma que os governos, viabilizando por financiamento público e investidores, tem um papel ímpar para reduzir as emissões de carbono. De acordo com os cientistas que fizeram o relatório, há políticas públicas já consolidadas que podem servir para alcançar reduções significativas de emissões e resiliência climática.

Do mesmo modo, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, argumentou que o relatório é uma espécie de tutorial de como “desarmar a bomba-relógio climática”.

“Este relatório é um apelo para acelerar massivamente os esforços climáticos de todos os países e setores e em todos os prazos. Nosso mundo precisa de ação climática em todas as frentes: tudo, em todos os lugares, ao mesmo tempo”, pontuou.

emissões carbono
Apesar do aumento de energia limpa, as emissões energéticas continuam “em trajetória de crescimento insustentável” (Foto: Reprodução/Agência Internacional de Energia)

Especialistas

Na opinião de especialistas, as quatro seções do relatório sugerem uma crescente mobilização política empresarial e social. No entanto, o quadro ainda não é positivo e, para reverter esse cenário, o mundo precisa urgentemente acelerar as ações para frear a mudança climática.

(CEO da The Nature Conservancy, Jennifer Morris | Foto: ENB)

“Embora o tom deste relatório não surpreenda ninguém que esteja familiarizado com os três anteriores, o alerta é coerente: está ocorrendo um progresso lento, mas ele ainda representa apenas uma gota no oceano, em comparação com o tamanho da emergência”, analisa a CEO da The Nature Conservancy, Jennifer Morris.

“É fácil perder a esperança quando um relatório após o outro ressalta essas consequências catastróficas, entretanto, vejo que é possível alcançar um futuro melhor. Há indicadores que nos animam: nos últimos dez anos, o custo dos recursos renováveis despencou, ao passo que sua eficiência aumentou significativamente e a conscientização e valorização do potencial de contribuição da natureza para o clima vêm crescendo continuamente”, completa.

(Guarany Osório, coordenador do Programa Política e Economia Ambiental do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), afirma que o clima do mundo já cresceu 1,2ºC | Foto: Divulgação)

Para o IPCC, o trabalho não pode parar, já que as ações para que o aquecimento global não ultrapasse 1,5ºC até o fim do século estão sendo “insuficientes”. De acordo com Guarany Osório, coordenador do Programa Política e Economia Ambiental do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), o clima do mundo já cresceu 1,2ºC.

“O Brasil está exposto a vários riscos climáticos e sofrendo seus impactos tal como o ocorrido em São Sebastião. Se não estivermos preparados para adaptação à mudança do clima, o país continuará negligenciando o risco de novas tragédias, impactos que afetam especialmente as mais vulneráveis e grandes perdas econômicas futuras. Aspirações políticas e metas climáticas são importantes e só se sustentam com arranjos e instrumentos de implementação bem desenhados, cronogramas, fontes de financiamento, mecanismos de monitoramento e cumprimento robustos”, defende.

Primeiras seções

Os relatórios das três primeiras, divulgadas ainda em 2022, abordou informações importantes sobre ciência física da crise climática. Os documentos trouxeram observações e projeções de aquecimento para o futuro, os impactos e como se adaptar. Além disso, ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Presidente do IPCC, Hoesung Lee, em discurso durante a COP23 | Foto: Flcikr/UNClimateChange)

O relatório alerta que a temperatura do planeta está 1,1ºC acima dos níveis pré-industriais. Consequência de mais de um século de queima de combustíveis fósseis e o consumo e produção insustentáveis de energia e da terra.

“A integração de ações climáticas efetivas e equitativas não apenas reduzirá perdas e danos para natureza e as pessoas, também proporcionará benefícios mais amplos. O relatório de síntese ressalta a urgência de ações mais ambiciosas e mostra que, se agirmos agora, ainda podemos garantir um futuro sustentável habitável para todos”, afirmou o presidente do IPCC, Hoesung Lee.

As seções focaram nas perdas e danos que já estão ocorrendo atualmente e que também continuará nos próximos anos. Como resultado, alcançando desigualmente os mais vulneráveis e os ecossistemas mais fragilizados. Por outro lado, o relatório defende que, se tomadas as decisões acertas agora, isso pode mudar o cenário e tornar o planeta mais sustentável.

Como primeira ação, por exemplo, os cientistas alertam que a redução das emissões de carbono deve ser imediata, com mais quedas pela metade até 2030. O relatório recomenda que governos “intensifiquem as medidas políticas verificadas e comprovadas”, por meio de parcerias com investidores e dos próprios recursos públicos.

*Esse conteúdo está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, 11, 12 e 13:
– Cidades e Comunidades Sustentáveis
– Consumo e Produção Responsáveis
– Ação Global contra a Mudança Climática

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