Membros do Patriota decidiram entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por supostas irregularidades do presidente do partido, Adilson Barroso, quanto à organização da convenção em que a filiação do senador Flávio Bolsonaro foi anunciada. É esperado que toda a família Bolsonaro se filie ao partido.
O secretário-geral da sigla, Jorcelino Braga, assinou a ação e explicou em entrevista à Sagres, que não se opõe à chegada de Bolsonaro, mas sim à maneira como o presidente Adilson Barroso está conduzindo essa entrada.
“Nós nunca falamos que não queríamos a família Bolsonaro, nós queríamos é conversar para saber quais seriam as condições para a família vir ao partido. Ele nunca deixou que a maioria do partido soubesse quais são essas condições. Razão pela qual ele fez tudo sozinho. Fez tudo à revelia e cometeu irregularidades que ele vai responder criminalmente”.
Ouça a entrevista completa:
Jorcelino contou que a ação proposta é administrativa, mas que depois uma outra série de ações serão propostas. Ele explicou que Adilson trocou nomes do diretório, algo que só poderia ser feito em 2023, além de nomear dois novos vice-presidentes para que pudesse ter maioria e aprovar uma convenção sem que os membros da sigla soubessem do conteúdo.
“Ele colocou sete votos a mais pra ele e tirou quatro dos nossos para manter uma minoria ilegal, para fazer uma convenção ilegal. E para isso ele usou de pano de fundo a vinda da família Bolsonaro. Mas o grande objetivo dele era fazer uma convenção de forma irregular”.
Segundo o secretário-geral, o fato de Adilson perder apoio dentro do partido, somado a proximidade das eleições, fez com que o presidente se “desesperasse”. “Ele não teria o controle dessa eleição, não teria o controle do fundo partidário, aí ele se desesperou e fez essa manobra […] Ele rasgou o estatuto e ninguém sabe o que ele aprovou” .
Questionado se essas manobras podem ser fruto de solicitações para atender a família Bolsonaro, Jorcelino afirmou que, sim, as ações indicam isso. Inclusive, todos os novos membros nomeados são bolsonaristas.
“O que nós ficamos perplexos é que não há resistência, somos o partido mais fiel ao Bolsonaro no congresso, com 98% de fidelidade em votação em todas as matérias. O que nós sempre dizemos é que precisávamos conversar e saber porque ele quer vir, quais as condições, mas isso nunca foi falado. Isso foi tratado diretamente entre os Bolsonaro e o Adilson”, declarou.
Com pedido de liminar sobre a ação, o secretário-geral do Patriotas espera que a decisão seja rápida. Jorcelino afirmou, porém, que em caso de derrota, não continua no partido, o que pode ter efeito na política de Goiás.
“Evidentemente que além das ações em nível federal, vai ter em Goiás. Porque em Goiás todo mundo sabe que temos um projeto de governo que o Jânio Darrot foi convidado para o partido e será candidato a governador pelo Patriota. E eu tenho compromisso com o Jânio que ele só não será candidato ao governo se ele não quiser. Então já conversei com o Jânio e ele falou que está comigo e vai esperar o desenrolar dos fatos”.













