O psicólogo organizacional, Junny Marcos, disse que as questões relacionadas ao trabalho estão diretamente ligadas a forma como as pessoas lidam com a saúde mental, visto que a maior parte da vida acontece no ambiente laboral. A declaração ocorreu no Pauta 1 da última terça-feira (18), que abordou a crise de saúde mental no Brasil e os desafios no ambiente de trabalho.

Os casos de afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais dispararam no Brasil nos últimos dez anos. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em 2024 o país bateu o recorde com mais de 200 mil pedidos de afastamento por ansiedade e depressão. Os sintomas que resultaram nesses dados são as questões que Junny Marcos disse estarem relacionadas a maneira como as pessoas lidam com o problema.

“O Brasil se tornou o país mais ansioso do mundo e é um recorde talvez não tão bom para nós. E essas são características culturais de uma estruturação dessa sociedade, de como a gente funciona enquanto ser humano e como essa sociedade interfere nos nossos comportamentos”, explicou. A partir disso, o psicólogo especialista em ambiente empresarial pontuou os sintomas que explicam a crise.

“Pelo menos um terço do nosso dia é dedicado ao trabalho e a outra parte para dormir. E aí já é um primeiro possível fator, tem fatores de sono, saúde física, alimentação, demandas relacionadas ao trabalho, à alta demanda de trabalho, às altas metas e pressão de entregas. Aí a gente pode entrar em contextos também de gestão não qualificada, pressão da gestão, a maneira com que as gestões comunicam, a falta de cultura de feedback, de fato de ter um espaço de escuta qualificada, a gente vai levantando aqui vários fatores que contribuem com esse processo de adoecimento”, disse.

A responsabilidade das empresas

Saúde mental dos homens (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)
Saúde mental dos homens (Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

Junny Marcos afirmou que é ideal que as empresas compreendam sua responsabilidade no processo de adoecimento dos colaboradores e então passem a atuar na prevenção dos transtornos mentais. Para isso, o psicólogo disse que é necessário que elas se façam presentes no processo de cultura de saúde mental e bem-estar para ser promotora da saúde e não aquela responsável pela deterioração.

“Assim você vai construir de fato uma cultura de saúde mental dentro desta empresa a partir de programas que valorizem as questões relacionadas à saúde mental, então você vai levar conhecimento, informação, gerar espaços propícios para isso, para a segurança psicológica, onde a gente possa se sentir à vontade para expor as nossas dificuldades, para que a gente possa falar com as lideranças sobre dificuldades e discordâncias no trabalho”, disse.    

Saúde mental agora é obrigação das empresas e não mais apenas um benefício para o trabalhador. A mudança ocorreu na legislação previdenciária do INSS que atualizou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que regulariza a questão da saúde mental dentro do direito do trabalho, como explicou a advogada trabalhista, Alice Costa.

“Logicamente que o INSS ainda tem  seu papel, só que essa responsabilização passará para a empresa no tocante de cuidar da saúde mental do trabalhador para evitar um possível afastamento, por exemplo, que seria já no INSS. Então, gera esse papel ativo da empresa que hoje não existe tanto”, contou. A atualização da NR-1 foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no ano passado e entrará em vigor no dia 26 de maio de 2025.

Assista a íntegra das entrevistas de Alice Costa e Junny Marcos no Pauta 1

*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta matéria, o ODS 3 – Saúde e Bem-Estar e ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico.

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