Após reunião na CBF, a Federação Goiana de Futebol optou pela suspensão imediata do Campeonato Goiano por tempo indeterminado como uma alternativa para combater a proliferação do coronavírus. Desta forma a competição é paralisada com o Atlético na liderança, indefinição sobre classificados e rebaixados e duas rodadas da primeira fase ainda a serem disputadas.

O posicionamento da entidade foi de encontro à vontade do Goiás Esporte Clube que já havia demonstrado ser contrário à continuidade do estadual, mas desagradou colorados e rubro-negros que expuseram o desejo de dar sequência à competição. Em entrevista à Sagres 730, por exemplo, o presidente executivo do Atlético, Adson Batista, comentou a decisão.

“Eu vi com grande tristeza porque acho que poderíamos continuar jogando sem torcida. O próprio governador manifestou que a gente poderia jogar sem problema porque é um ambiente aberto e com poucas pessoas. Eu sou um cara que faço de qualquer dificuldade uma oportunidade, acho que temos que enfrentar tudo de frente. O clube sem um calendário definido e sem jogos é muito prejudicial, mas óbvio que não sou um infectologista, um especialista, as vezes eu estou muito confiante e podem vir problemas muito maiores. Estou falando de momento e acho que poderia ter terminado pelo menos essa fase para não ter ‘virada de mesa’. Eu queria jogar e ganhar o campeonato dentro de campo”, disse.

Adson Batista (Foto: Paulo Marcos/ACG)

O dirigente destacou que a grande preocupação é pelo fato de não se haver ainda um prazo para o retorno das atividades. Com isso o clube não conseguirá se programar nos próximos dias.

“A gente fica até meio desnorteado porque a CBF que comanda todo o futebol brasileiro está sem rumo. Esse problema é muito profundo, mas a gente não tem um norte. Não baixou nenhuma portaria dizendo que iriam adiar o futebol brasileiro por 15 ou 30 dias para trabalharmos dentro de possibilidades de se fazer uma programação para liberar jogador, para voltar treinamentos e ter uma organização maior. São situações muito difíceis, a conta fica só para os clubes. Eu já vivi de tudo no futebol, mas não passei por uma situação igual a essa que a gente não sabe o que vai acontecer principalmente financeiramente. É momento de muita preocupação pro futebol brasileiro”, analisou.

Se o Goianão não tivesse sido paralisado, a tabela marcava o clássico contra o Goiás para a próxima quinta-feira (19) às 16h no Estádio Olímpico. No entanto, minutos antes da divulgação de suspensão do campeonato, a equipe esmeraldina já havia decretado que não entraria em campo contra o Dragão. Questionado se a decisão do Goiás teria influenciado na postura da FGF, Adson preferiu não se aprofundar no assunto.

“Já entrei em muitos conflitos desnecessários e outros até necessários, então não vou entrar nisso não. É problema do Goiás, se o Goiás acha que tem que agir dessa forma é problema deles. Eu queria jogar com o Goiás, gosto de jogar contra eles porque é um time que sempre dá bons jogos, mas não vou entrar em polêmica não. Pelo que me informaram foi um pedido da CBF. Claro que tem muitos interesses, gente trabalhando para ‘virar mesa’ e o campeonato não prosseguir. Eu só espero que as coisas aconteçam de maneira séria para valorizar o que aconteceu dentro de campo”, desabafou.

Suspensa por tempo indeterminado, a edição 2020 do Campeonato Goiano ainda não tem a certeza de que será retomada nas próximas semanas. Líder da competição, o presidente atleticano revelou não ter analisado se seria justo a equipe rubro-negra ser declarada campeão em caso de encerramento do torneio.

“Eu nem pensei nisso, meu pensamento era ganhar o campeonato dentro de campo. Acho que o Atlético tinha totais condições de ganhar a competição dentro de campo e o bicampeonato seria muito importante para a nossa história e para o clube em todos os sentidos. As minhas preocupações agora são muito maiores, deve vir uma normativa da FIFA e da CBF porque todos os campeonatos estão parados e precisamos aguardar. Não quero me posicionar em relação a isso porque é uma situação menor do que está acontecendo neste momento”, afirmou Adson.

Até o fechamento desta matéria o Atlético Goianiense não havia definido se continuará com a rotina de treinamentos no CT do Dragão. O presidente espera definições em reunião com a Federação Goiana de Futebol na manhã desta quarta-feira (18) para decidir as medidas a serem adotadas. As atividades das categorias de base já foram paralisadas.

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