A Prefeitura de Goiânia recapeou o asfalto do Centro da Capital. O trabalho incluiu o fechamento de buracos, nivelação e uniformização das ruas, não computando ainda a totalidade das avenidas. Foi um trabalho simples e rápido – em três meses já estava pronto grande parte do serviço.
É preciso dar os parabéns ao prefeito, pois sua equipe mostrou competência para executar a obra. Temos agora no Centro uma capa asfáltica digna: espessa, escura e reluzente. A obra fechou a maioria dos buracos e infiltrações.
Mas para que isso aconteça, antes de tudo, é necessário o Poder Executivo ter vontade: alguém precisa assinar o orçamento, o empenho, a ordem de pagamento. Em outras palavras, é necessário disposição política, vontade, interesse e sensibilidade.
A pergunta aqui proposta, entretanto, é: seria possível repetir este padrão de qualidade em outros bairros de Goiânia? Na periferia, principalmente?
É este o desafio que lançamos ao prefeito Paulo Garcia: fugir da ‘síndrome do batom’. Tal síndrome acomete políticos, que entendem ser necessário dar apenas um retoque, esquecendo-se de que a população tudo vê e tudo reclama.
O batom do Centro precisa chegar nos setores Balneário, Cidade Jardim, Vila Abajá, Vila Izaura, Vila São José, Itatiaia, Finsocial, Jardim Novo Mundo, Novo Horizonte e tantos outros que simplesmente estão esquecidos.
Ora, as ruas da Cidade Jardim ou da Vila Izaura (e mesmo em bairros nobres, como Jardim Goiás) não comportam mais remendos infinitos. É preciso fazer de novo: selecionar o betume, conseguir uma mistura aglutinante e despejar pelas ruas. As vias mais movimentadas merecem cimento asfáltico de petróleo e não apenas diluído. O revestimento de alto padrão dura mais e poupa os recursos do contribuinte.
O prefeito precisa encarar de frente os engenheiros que sugerem obras pela metade ou mal feitas e exigir que estes bairros tenham, sim, uma capa nova de asfalto.
Que estas novas construções tenham qualidade de impermeabilização, sejam sólidas e de elevada massa molecular. Não queremos o asfalto farinha, que esfarela com a primeira camionete que passa por cima.
Veja o caso do Jardim Goiás. Em plena entrada do shopping mais conhecido da Capital, temos inúmeras ruas, todas esburacadas, remendadas a ponto de não se podermos mais nivelar o trajeto. As ondas der asfalto derrubam constantemente motociclistas e ciclistas que por ali passam, tamanho o desnível e irregularidade.
Está na hora da Prefeitura de Goiânia lançar um amplo programa de recapeamento e reasfalto de inúmeras vias de acesso da Capital. Seria um grande presente para os moradores dos bairros mais antigos da cidade e que já não contam com pavimentação adequada.
A Prefeitura tem interesse em fazer novos viadutos, conforme mostrou a reportagem da 730. Eles são importantes, mas não se comparam com a urgência de reconstrução da malha asfáltica destes bairros periféricos.
Nas proximidades da feira da Cidade Jardim, por exemplo, o motorista e passageiro correm risco de descolamento da retina, tamanha a violenta movimentação do carro quando se sobrepõe ao asfalto íngreme. São verdadeiras microbarricadas, produzidas por remendos sem cuidado, feitos à toque de caixa por administrações que passaram – Iris Rezende, Pedro Wilson Darci Accorsi e Nion Albernaz são alguns deles.
É preciso, portanto, coragem para ousar e assumir responsabilidades. O pacto da mobilidade passa primeiro por duas ações imediatas: calçadas de qualidade e asfalto que não estraguem a suspensão dos carros e machuquem as pessoas.





