Estreou na última sexta-feira, 1º de agosto, a Rádio Nacional dos Povos, iniciativa inédita de comunicação indígena e quilombola na cobertura da COP30, conferência climática da ONU que será realizada em novembro, em Belém, capital do Pará.
A linha editorial da rádio é justiça climática, soberania da informação e saberes ancestrais. O novo canal de comunicação é um grito de que indígenas e quilombolas estão presentes e querem participar das negociações da principal conferência climática anual da ONU.
Participam da rádio comunicadores da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), produzindo conteúdos em parceria com a produtora Vem de Áudio.
No entanto, a ideia é que a programação seja colaborativa, com a participação de coletivos de comunicação, comunicadoras e comunicadores populares, artistas, lideranças e organizações de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Os interessados podem entrar em contato com a organização da rádio via formulário disponível no site.

Nathalia Purificação, jornalista quilombola, assessora da Conaq e apresentadora da Rádio, disse que a rádio traz uma herança afetiva e ancestral.
“Sou neta de Iaiá, uma mulher de 106 anos que me ensinou a falar com o mundo sem perder a raiz. Prometi a ela que me formaria jornalista e que ela ainda iria me ouvir na rádio. Fazer parte da Rádio Nacional dos Povos é honrar esse legado e ecoar o que Nego Bispo chama de pensamento confluente: a comunicação que nasce da vida e volta pra ela”, contou.
O Coordenador de comunicação da Apib, Tukumã Pataxó, afirmou que “direto de Brasília, vamos fazer ecoar as vozes dos territórios, do jeito que a gente é, com coragem, alegria e verdade”. O apresentador Yago Kaingang reforçou o que disse Pataxó sobre o projeto de comunicação que mobiliza os dois povos para a COP30.
“A Rádio é um grito de socorro para nossos sonhos, para nossas vidas, para nossa luta. Um grito de socorro pelo futuro do planeta e das vidas que nele existem”, afirmou.
A Rádio Nacional dos Povos nasceu na Escola de Rádio e Clima, disciplina do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (MESPT/UnB). Vinda do anseio de professores indígenas e quilombolas, o novo veículo de comunicação faz com que o conhecimento acadêmico encontre os saberes dos territórios.
Para ouvir a rádio, basta acessar o link www.radionacionaldospovos.com.br ou baixar o aplicativo.
*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, da Organização das Nações Unidas (ONU). Nesta matéria, o ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima.
*Com CicloVivo
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