No último dia 27 de junho, o Rio Grande do Sul foi um dos focos desta edição da Arena Repense. Mensagens de apoio e orientações profissionais trouxeram uma perspectiva de esperança na recuperação, tanto da dignidade do jovem trabalhador quanto do estado como um todo, além de lições de vida que podemos levar a partir desse acontecimento.
Como lidar com as demandas emocionais que surgem após uma tragédia que levou embora bens materiais e até pessoas queridas? O que são refugiados climáticos? Até que ponto o lixo depositado no meio ambiente influencia nos eventos extremos da natureza? Como ajudar efetivamente o jovem? Esses são alguns questionamentos levantados no debate.
A conversa contou com Ariana Cárita de Assis, Doutora em Educação em Ciências Ambientais, Eduarda Lorrany, Instrutora da Renapsi e Intérprete de Libras e Ludmilla Rocha, coordenadora do Psicossocial da Renapsi polo Goiás e Ester Melo Assistente Social da Renapsi polo Rio Grande do Sul.
Mudanças Climáticas
Em um primeiro momento, é necessário entender qual é a implicação das mudanças climáticas extremas na vida dos jovens. Esse episódio ocorrido no Rio Grande do Sul “inaugurou” uma nova categoria de refugiados. Se antes os que mais apareciam nas mídias eram os refugiados de guerra, agora, os chamados refugiados climáticos, serão tão comuns quanto esses primeiros.
Conforme Ariana, refugiados climáticos são “pessoas que são afetadas por esses eventos e tem suas vidas transformadas, e na grande maioria, infelizmente, pessoas que têm um poder aquisitivo menor, são afetadas”. Dessa conjuntura, surgem inúmeras preocupações que acarretam implicações mentais como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.
Quem também contribui nessa perspectiva é Ludmilla, que aponta nuances sobre o mental do jovem que pode não ser capaz de viver plenamente o presente. “o futuro fica incerto (…) o ambiente e o cenário político (…) mas a gente precisa encorajá-los (…) promover saúde mental.”, destacou.
A tragédia poderia ter sido evitada? Sob uma certa ótica, sim. Porém, conforme a Doutora em Educação em Ciências Ambientais, a responsabilidade pode ser atribuída a uma “questão de Estado”, e uma “questão de cooperação entre as nações”. A sua perspectiva é de que “não adianta pensar que esse governo deve dar conta totalmente desse problema que é global.”
Rede de Apoio
São 3 as fases de quem sofre com uma tragédia, foi o que ressaltou Ester Melo. “ A primeira fase é a de impacto imediato, onde o jovem sofre imediatamente, a segunda fase é a imediata pós desastre marcada pelo início das atividades habituais, podendo surgir um alívio por sobreviver, isso traz um forte impacto na saúde mental (…) E a terceira fase é a recuperação e é caracterizada por um período mais prolongado de ajustamento, eles buscam o equilíbrio que eles tinham anteriormente, e aí a gente parte pra questão mais difícil: o equilíbrio anterior que não existe. É tu voltar pro teu lar e não ter mais o teu lar (…) é como se fosse roubado do jovem o mínimo.”
Ela orienta que os jovens procurem a rede de apoio como Centro de Atenção Psicossocial CAPS, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) a fim de serem acolhidos. A assistente social também trouxe o conceito de ecoansiedade para a roda. Esse termo se traduz em uma resposta traumática a um evento climático: “o jovem conta que ele não consegue ouvir o barulho da chuva, que não traz mais paz para ele”.
Um caminho de solução que pode ser aplicado nesse cenário seria o acolhimento. “Uma das questões mais importantes é o afeto … e entender que cada ser humano é um ser único e tem a sua maneira de lidar, então cada um tem o seu tempo e cada um tem a sua forma de enfrentar a realidade”. enfatiza Ester. Ela contou nesse contexto, inclusive, que alguns jovens se tornaram líderes. Enquanto alguns pais ficaram “prostrados e mais afetados” diante da situação, alguns jovens foram resilientes, tomando a dianteira limpando suas casas sozinhos.
Solidariedade
O ser humano normalmente não é empático, de acordo com a coordenadora. “nós vivemos uma vida muito automática” e isso acaba demonstrando como as pessoas podem aprender a praticar o bem para com o próximo. E falando em bem para o próximo, os jovens aprendizes da Renapsi polo Aracajú prepararam cartas com mensagens solidárias para os jovens do polo Rio Grande do Sul. Essa ação visou o exercício do trabalho voluntário com foco no desenvolvimento da empatia para com o próximo.
E com a produção do Sistema Sagres de Comunicação, a Arena Repense também preparou uma mensagem especial da Renapsi polo Goiás, dita por dois participantes presentes no estúdio, para o Rio Grande do Sul. Por fim, valores como força e resiliência foram muito presentes junto das lições deixadas pelas ocorrências do Rio Grande do Sul.
Assista à Arena Repense na íntegra no link acima.
*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
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