JORNAL USP/Ferraz Jr – A transição energética para fontes renováveis em 2023 marcou um período crucial na história. A Agência Internacional de Energia Renovável (Irena),  revelou que 86% das novas capacidades de geração de energia vieram de fontes renováveis, um feito impressionante que elevou a capacidade instalada mundial para 3.870 GW, com destaque para as fontes eólica e solar. Esse crescimento foi predominantemente liderado pela Ásia, com a China na vanguarda, ilustrando uma mudança significativa na matriz energética global. 

Apesar do progresso evidente, a expansão das energias renováveis apresentou uma distribuição geográfica desigual. Enquanto alguns países avançam rapidamente na adoção de fontes de energia limpa, muitos no sul global ainda lutam contra barreiras estruturais e financeiras que limitam sua capacidade de participar dessa transição energética. Essa discrepância não apenas acentua as desigualdades existentes mas também coloca em questão a universalidade e equidade do acesso aos benefícios da energia renovável.

Os países emergentes, ricos em diversidade e potencial de recursos naturais, enfrentam desafios como a falta de infraestrutura adequada, investimentos insuficientes em tecnologias limpas, e políticas de apoio que não atendem às suas necessidades específicas. Para que a transição seja verdadeiramente global é fundamental que esses países recebam apoio direcionado, em especial dos países desenvolvidos, incluindo transferência de tecnologia, financiamento acessível e capacitação para superar essas barreiras.

Além disso, o relatório da Irena enfatiza a necessidade de acelerar o ritmo de adoção das renováveis para atingir as metas climáticas globais. Sugerindo uma triplicação da capacidade de energia renovável até 2030, destaca-se a urgência de ações concretas que vão além dos avanços tecnológicos, exigindo esforços coordenados em políticas públicas, investimentos e cooperação internacional.

Portanto, a transição energética representa uma oportunidade sem precedentes para remodelar as relações econômicas e sociais globais, promovendo desenvolvimento sustentável e justiça energética. Isso requer uma mudança paradigmática que reconheça as necessidades e potenciais únicos de cada região, especialmente aquelas historicamente marginalizadas na economia. Com ações concertadas e inclusivas, podemos garantir que o avanço rumo a um futuro de energia limpa beneficie a todos, não apenas uma elite global.

Leia mais