Vinícius Tondolo
Vinícius Tondolo
Vinicius Tondolo é diretor executivo do Sagres Educa, jornalista do Sistema Sagres de Comunicação, Mestre em Comunicação, docente e especialista em Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pelo curso de formação internacional MAIA

PISA 2022 aponta sinal de alerta para América e Europa; Asiáticos reinam quando assunto é educação

Na semana em que a COP28, em Dubai, abriu espaço para discussões envolvendo a necessidade de inovação no âmbito da educação, o mundo recebeu os resultados da avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) em que aferiu o desempenho de estudantes de 81 países aplicados a leitura, matemática e ciências. O estudo foi desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A principal interpretação é que estes números registram os impactos da COVID-19 na educação. Todos os países registraram queda. O Brasil ficou no 64º lugar entre as notas em matemática, 53º em leitura e 61º em ciências. Apenas 1% dos alunos brasileiros têm apresentado níveis suficientes e adequados. Os índices atuais indicam que o quê o país levou 10 anos para crescer, recuou.

No levantamento da Folha de São Paulo, especialistas apontaram a pandemia, a estrutura das redes públicas e os métodos de ensino como decisivos para o cenário apresentado e que já vinha sendo percebido nos últimos 20 anos no Brasil. E a matemática se torna o maior desafio nacional porque vem seguidamente apresentando quedas. No IDEB 2021, apenas 5% dos alunos concluíam o ensino médio com índices suficientes de compreensão.

Entre os países latino-americanos, Brasil fica atrás de Chile, Uruguai, México e a Costa Rica. Os chilenos, inclusive, estão há 10 anos posicionados como a melhor educação da região. O governo atribui estes índices a oferta de mais tempo de dedicação dos professores chilenos que se comportaram como um “colchão” para reduzir a queda já prevista. No entanto, o país segue sem saber como lidar com a desigualdade social dos alunos.

Entre os 10 melhores classificados, seis são do continente asiático, onde a liderança é de Singapura e com a presença de Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Macao e Hong Kong. O caso de Singapura reflete um Produto Interno Bruto (PIB) per capita de US$ 72.794,00, de acordo com o Banco Mundial e uma população de quase 6 milhões de habitantes.

Países como Espanha também ligaram o sinal de alerta diante dos resultados. O país já vinha registrando quedas e a pandemia acelerou este processo. Os alunos espanhóis apresentam desempenho melhor em ciências e àqueles que estão em vulnerabilidade tendem a apresentar menor desempenho.

Durante a COP28, um fundo de US$ 220 milhões foi criado e destinado a jovens na África. Ainda não foi divulgado nenhum tipo de acordo que encaminhe para demandas da educação. Medida como descarbonização da economia estão no alvo da organização da edição em Dubai.

[COP À COP]

– EDUCAÇÃO SOCIOAMBIENTE. Tema bastante recorrente nas conferências da COP, a educação aplicada a sustentabilidade vai ganhando espaço no currículo. Inspirados pela iniciativa do Pará de inserir no currículo básico para todos os alunos do estado, reunião do Plano Nacional de Educação (PNE) 2024-2034 encaminha proposta para uma deliberação federal. Via Sagres Online.

– PARCERIA BRASIL-EMIRADOS. As Universidades de São Paulo (USP) e de Sharjah (EAU) estabeleceram um convênio que prevê a troca de conhecimentos, pesquisas, intercâmbios de professores, estudantes e pesquisadores em áreas de sustentabilidade pelos próximos cinco anos. Sharjah é um emirado mais dedicado a educação e a cultura local e não vive do estilo luxuoso e exuberante das atrações de Dubai.

COP JOVEM. O estado do Pará vem buscando apoio para realizar a COP dedicada ao público infanto-juvenil. A previsão é que haja representantes de todos os estados brasileiros e de diversos países. A intenção é que o evento seja realizado em novembro ou dezembro de 2024, marcando a contagem regressiva para o início da edição no Brasil.   

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