O dia 4 de setembro é definido como o Dia Mundial da Saúde Sexual. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o número de meninos entre 12 a 18 anos que vão ao médico urologista é 18 vezes menor em relação aos atendimentos verificados de meninas da mesma faixa etária em consultas com ginecologista.

Durante o mês de setembro, a SBU realiza a sexta edição da campanha #VemProUro. A ação possui como objetivo promover conscientização para adolescentes de 9 a 14 anos sobre temas relacionados à educação sexual.

Conscientização

As ações voltadas para o público masculino envolvem, sobretudo, o uso de redes sociais para a abordagem de temas ligados à sexualidade e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Além disso, a campanha também reforça o impacto da vacinação no combate a doenças como o HPV (Papilomavírus Humano).

“Apesar de a vacina ser gratuita e estar disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), os meninos não procuravam se imunizar”, afirma o presidente da SBU, Alfredo Canalini.

O cenário é preocupante, sobretudo, ao se analisar os números relacionados à medidas essenciais de prevenção, como o uso de preservativos durante relações sexuais. 

Nesse sentido, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), após ouvir adolescentes em idade escolar, constatou que o uso de preservativo em relações sexuais teve queda entre 2009 e 2019.

De acordo com a entidade, entre as meninas, o número foi de 69,1% para 53,5% e, entre os meninos, a redução foi de 74,1% para 62,8%.

“A dificuldade de trazer os adolescentes para um cuidado maior com sua saúde ficou extremamente evidente quando começamos a comparar os índices de vacinação contra o HPV, que é muito maior nas meninas do que nos meninos”, afirma Canalini.

A taxa de vacinação referente à segunda dose da vacina contra HPV é de apenas 36% entre os meninos, número distante do objetivo de 95%. O HPV é o vírus responsável por cerca de 70% dos casos de cânceres do colo do útero e lesões pré-cancerosas.

Comportamento

Com o objetivo de assegurar que os adolescentes tenham acesso às informações bem embasadas, redes sociais como o TikTok também serão plataformas de publicação de conteúdos educativos.

“Parece que a conversa com os meninos acaba ficando meio tabu. Então, os meninos ou se informam com os garotos mais velhos, o que nem sempre é uma troca de informações verdadeiras”, explica o representante da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Alfredo Canalini.

A questão comportamental é um fator importante para explicar a multiplicação de informações equivocadas e a ausência de engajamento com o tema. Segundo Canalini, os cuidados com a saúde ainda carecem de maior atenção em meio ao público masculino. Dessa forma, trata-se de uma realidade que persiste na geração de efeitos durante a vida adulta.

“São temas importantes e têm de ser trazidos à tona, que educam o menino para toda uma atitude de saúde e cuidar do próprio organismo”, reflete.

Prevenção

O conceito de “sexo seguro” aparece entre os focos da campanha conduzida pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Ademais, além de abordar temas relacionados à sexualidade, a entidade também irá promover palestras sobre contracepção e uso de drogas.

Assim, no dia 11 de setembro, a partir das 20h, uma transmissão ao vivo com especialistas irá abordar o uso de álcool e cigarro eletrônico. No dia 25, a temática será “sexualidade na adolescência”, transmitida no mesmo formato.

Ainda de acordo com Canalini, é essencial que haja campanhas veiculadas em grande escala para promoção de novos hábitos para os próprios responsáveis. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia, divulgado em 2022, o número de atendimentos de adolescentes meninos de 12 a 18 anos ao urologista é 18 vezes menor que o de atendimentos de meninas na mesma faixa etária no médico ginecologista.

*Este conteúdo está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). ODS 3 – Saúde e Bem-estar

*Com informações da Agência Brasil

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